Kate Conger e Ryan Mac subiram ao Palco Central da Web Summit para darem uma perspectiva diferente sobre Elon Musk, a influência que o mesmo pode vir a ter no novo governo de Trump e como este mudou a rede social Twitter, agora conhecida como X.
A conversa guiada por Bobby Allyn, repórter de tecnologia no NPR, acabou por se desviar do tópico principal e seguir uma temática mais direcionada à mudança que Elon Musk provocou na rede social e como, provavelmente, vai influenciar a política americana.

Desde a compra do Twitter por parte de Elon Musk que muitas foram as alterações que a rede social sofreu. Começando pelo nome, que passou de Twitter para X, passando pelo despedimento de grande parte da equipa pertencente ao Twitter, a rede social tornou-se mais que apenas um local para partilhar ideias, opiniões e conhecimento.
“Elon Musk consegue utilizar a plataforma para partilhar a sua opinião e consegue chegar a muitas reuniões com pessoas importantes porque tem uma grande influencia na rede. Ele não quer saber da parte monetária do Twitter mas sim da pate influenciadora da rede. Além disso, existe todos os dados armazenados e que consegue ter acesso com a rede social”
Kate Conger, repórter de tecnologia no The New York Times

A verdade é que os dois jornalistas do The New York Times concordam que Elon Musk transformou a rede social de todos numa espécie de rede de difusão de mensagens próprias. Isto porque, o “Musk acaba por mover a rede social, sempre que publica algo vai para as trends e este é um poder grande que pode facilmente ser utilizado a favor da mensagem do governo”, comenta Ryan Mac.
Esta vertente mais política de Musk tem-se tornado mais relevante desde que foi convidado a fazer parte do futuro governo de Trump, podendo aqui sim influenciar em grande escala a forma como o mundo funciona e como Trump vai voltar a alterar certos setores do país.
“Elon Musk sente-se bastante poderoso e bastante capaz porque quando todos diziam que o Twitter ia deixar de funcionar e que despedir tantas pessoas ia correr mal, tudo acabou por continuar a funcionar e ainda hoje se mantém com uma base de utilizadores enorme”, comenta Conger.

No entanto, os cortes feitos por Musk com o despedimento de tantas pessoas, acabou por mudar a forma como a empresa funcionava. “Muitas coisas passaram a ser cortadas/escondidas, em especial a transparência da empresa e a partilha de valores recebidos”, isto tudo por falta de pessoas para conseguirem fazer todo o trabalho.
A publicidade e a gestão geral também teve alguns atrasos e dificuldades em adaptar-se devido à redução drástica no número de pessoas, confirmaram os repórteres durante a conversa na Web Summit.
Da mesma forma que Musk fez uma análise à produtividade dos trabalhadores no Twitter, o mesmo já havia sugerido que os funcionários do Estado começassem a apresentar relatórios semanais sobre o trabalho executado de forma a conseguir medir a importância de cada cargo e de cada pessoa, o que “poderá levar a uma gestão semelhante no Governo como a que aplicou no Twitter”.
Estando em tribunal por diversas razões e com ambas as duas grandes empresas que detém, a Tesla e a Space X, Elon Musk poderá agora encontrar uma forma de “fazer desaparecer algumas das acusações de que é alvo”, uma vez que vai ganhar ainda mais influência no campo político e “algo em comum entre Trump e Musk é que ambos gostam de se rodear de pessoas que os enaltecem e que concordam com as opiniões deles”, comenta Kate Conger.
Ryan Mac destaca ainda a influência que Musk poderá vir a ter nas tomadas de decisão de Trump, pois “atualmente isso já acontece, com o Trump inicialmente a ser contra os carros elétricos e, agora, até que já os aceita, esta poderá muito bem ser uma influência por parte de Elon Musk que poderá servir para muitos outros propósitos”.
Conger ironiza a situação perguntando se “as coisas são diferentes para Elon, certo?”, referindo que o mesmo consegue recorrer à plataforma que detém, o X, para “partilhar a sua opinião e para conseguir chegar a várias reuniões com pessoas importantes devido à grande influência que tem na rede”.

Mac vai mais longe e aponta que Elon Musk “vive na sua própria bolha, obcecado com o Twitter”, uma vez que o milionário parece não recorrer a mais nenhuma fonte de informação a não ser a rede social.
“Ele atingiu um nivel de influencia e de reconhecimento que vai ser quase impossivel chegar até ele e impedir que seja investigado em condições”, conclui Kate Conger no encerramento da conversa.



