Depois de vários anos de desenvolvimento, a Apple terá abandonado o projeto do seu motor de pesquisa.
Agora, a empresa americana explicou porque é que não está interessada neste desenvolvimento.
Apple fala sobre projeto do motor de pesquisa
O vice-presidente sénior de serviços da Apple, Eddy Cue, explicou recentemente as razões pelas quais a empresa não pretende criar um motor de pesquisa próprio, semelhante ao Google.
Numa declaração apresentada num tribunal federal em Washington, Cue detalhou os desafios e riscos associados a tal projeto.
De acordo com o gestor, o desenvolvimento de um motor de pesquisa exigiria investimentos de “milhares de dólares” e levaria “muitos anos” para ser concretizado, desviando recursos financeiros e humanos de outras áreas estratégicas de crescimento que a Apple está a priorizar.
Além disso, destacou que o setor de pesquisa está a passar por uma transformação acelerada, impulsionada pela inteligência artificial, tornando o investimento num motor de busca um risco económico significativo.

Outro ponto crucial é que um negócio de motores de pesquisa viável exige, em grande medida, a venda de publicidade direcionada, algo que não está alinhado com os valores centrais da Apple.
A empresa tem um forte compromisso com a privacidade dos seus utilizadores e vê esse tipo de modelo como contraditório aos seus princípios.
Cue também observou que a Apple não dispõe de uma infraestrutura operacional ou de profissionais especializados suficientes para desenvolver e gerir com sucesso um motor de pesquisa competitivo.
Este depoimento surge no contexto do julgamento anti-monopólio do Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra o Google, que considerou ilegal o acordo que define o Google como motor de busca padrão no Safari, o navegador da Apple.
Cue revelou que, em 2022, a Apple recebeu cerca de 20 mil milhões de dólares como parte deste acordo. Ele defendeu que esta parceria é essencial para que a sua empresa continue a oferecer produtos que melhor atendam às necessidades dos seus utilizadores.
Cue pediu ao tribunal que permita que a Apple apresente testemunhas para defender a continuidade do acordo, argumentando que apenas a própria empresa pode determinar quais colaborações são mais adequadas para servir os seus utilizadores.


