Ar condicionado tradicional tem data de validade na Europa e os substitutos estão a ser testados

Com as ondas de calor a tornarem-se cada vez mais frequentes e intensas na Europa, a procura por sistemas de refrigeração dispara.

Ao mesmo tempo, a União Europeia está a apertar as regras sobre os gases refrigerantes mais comuns, criando uma pressão crescente para encontrar alternativas mais sustentáveis.

hisense ar condicionado
Publicidade

Cientistas e empresas desenvolvem ar condicionado sem gases refrigerantes baseado em materiais de estado sólido

O ar condicionado convencional funciona essencialmente da mesma forma que há um século, com um gás refrigerante a circular entre estado líquido e gasoso para extrair o calor de uma divisão e expulsá-lo para o exterior.

O problema é que muitos desses gases são extremamente poluentes. Os gases fluorados, os mais comuns, podem ter um potencial de aquecimento global milhares de vezes superior ao do CO2 se escaparem para a atmosfera, razão pela qual a União Europeia aprovou em 2024 uma regulamentação para os eliminar progressivamente.

As alternativas existentes também têm limitações. O propano é altamente inflamável e o amoníaco é tóxico. É neste contexto que vários grupos de investigação, a maioria com sede na Europa, estão a desenvolver sistemas de refrigeração de estado sólido que dispensam completamente os gases refrigerantes.

hisense ar condicionado

Como funciona a refrigeração de estado sólido

Em vez do ciclo tradicional de compressão e expansão de gases, estes novos sistemas baseiam-se em materiais que mudam de temperatura quando submetidos a uma força externa, seja pressão, corrente elétrica ou campos magnéticos.

Um dos projetos mais avançados é liderado por Paul Motzki, professor da Universidade do Sarre na Alemanha, que trabalha com uma liga de níquel e titânio. Ao esticar e soltar este metal, este recupera a sua forma original absorvendo calor do ambiente, um fenómeno conhecido como efeito elastocalórico. O sistema poderá arrefecer espaços entre 5 e 10 graus de forma mais eficiente do que os equipamentos atuais, com um protótipo já em testes laboratoriais e instalação em edifícios de nova construção prevista para os próximos anos.

Leia também  Análise Dreame T12 Pro - limpar o chão nunca foi tão fácil e leve

Outros caminhos estão também a ser explorados. A empresa nova-iorquina Mimic Systems está a testar uma bomba de calor baseada em semicondutores que move o calor através de corrente elétrica, com um protótipo instalado num apartamento em Vancouver.

A startup alemã Magnotherm, nascida da Universidade Técnica de Darmstadt, utiliza campos magnéticos e vai testar o seu sistema este ano numa cadeia de supermercados alemã antes de avançar para o ar condicionado doméstico.

No Reino Unido, a Barocal, nascida da Universidade de Cambridge, experimenta com cristais de plástico flexíveis que libertam calor ao serem comprimidos e descomprimidos, tendo recentemente angariado dez milhões de dólares numa ronda de financiamento inicial.

Soluções ainda longe do mercado em massa

Nada disto está pronto para adoção em larga escala. Os especialistas reconhecem que estas tecnologias são promissoras mas não estão ainda provadas a grande escala e o seu sucesso dependerá de os grandes fabricantes de climatização como a Daikin ou a Samsung decidirem adotá-las e produzi-las em volume.

Entretanto, apenas cerca de 20% dos lares europeus tem ar condicionado, muito abaixo dos 90% nos Estados Unidos. Os investigadores alertam para que a solução não passe pela compra em massa de aparatos portáteis pouco eficientes, defendendo uma abordagem que priorize primeiro a prevenção do sobreaquecimento dos edifícios através de árvores, sombra e ventilação natural, recorrendo à climatização ativa apenas quando necessário e priorizando espaços como escolas, hospitais e lares de idosos.

Sobre o autor

Aproveite a campanha:

regresso as aulas campanha
Publicidade

Deixe um comentário

Blogarama - Blog Directory

Já nos segues no Google News?

X