Carl Pei, CEO da Nothing, participou num AMA no Reddit e foi surpreendentemente direto sobre onde a empresa pode ter falhado.
Das escolhas de software às decisões de design e à estratégia de monetização, Pei reconheceu erros com uma franqueza pouco comum entre líderes de empresas tecnológicas.
Carl Pei admite bloatware excessivo, design que perdeu identidade e estratégia “preguiçosa” nos telemóveis Nothing
Em relação ao Nothing Phone 2, que termina as atualizações major com o Android 16 sem receber Android 17, Pei explicou que o kernel está demasiado antigo e que o fabricante do chipset não suporta a nova versão. Clarificou também que o compromisso original era de três atualizações major, que foram cumpridas.
Sobre a monetização, um utilizador questionou as instalações semi-forçadas de aplicações e jogos nos telemóveis da marca.
A resposta de Pei foi direta e concordou que a empresa foi longe demais e precisa de encontrar um equilíbrio melhor entre valor para o utilizador e receitas. A sinceridade é relevante numa altura em que a Nothing procura formas de monetizar além das vendas de hardware.

No design, Pei reconheceu que a empresa pode ter evoluído demasiado depressa e disse à equipa que precisa de regressar ao espírito que definiu a era do Phone 1. Não significa recriar o produto original, mas sim revisitar o que tornava o hardware inicial tão distintivo.
A estratégia geral da empresa foi também criticada pelo próprio Pei, que admitiu que a Nothing tem sido “estrategicamente preguiçosa” e que a direção desejada é “fazer menos, mas melhor.”
No mercado americano, onde a empresa está a crescer com presença nas lojas Best Buy, o desafio continua a ser perceber o que os telemóveis Nothing devem oferecer que um iPhone não oferece.
Para o futuro, um Nothing Watch transparente esteve quase pronto mas foi adiado para mais tempo de desenvolvimento, e a linha CMF poderá regressar. Não há planos para portáteis Windows.


