Com o passar dos anos a gerações têm mudado e influênciado a forma como a sociedade vive. Com a a Geração Z, a alteração tem sido um pouco mais intensae, um estudo da Randstad Global, revela que esta é uma geração que fica pouco mais de um ano no mesmo trabalho.
Apesar de se referirem apenas aos primeiros 5 anos de carreira da Geração Z, estes valores são muito inferiores aos apresentados pelas gerações anteriores.
Radstad indica que a Geração Z não está desinteressada, mas sim à forte ambição e à falta de transparência das empresas
Para muitos, a Geração Z é vista como preguiçosa ou desinteressada, mas o relatório da Randstad contraria esta ideia em grande escala.
Apesar de ficarem, em média, apenas 1,1 anos em cada empresa durante os primeiros cinco anos de carreira, a Geração Z não o faz por preguiça ou por falta de lealdade, faz sim pela forte ambição e pela ausência de percursos claros de progressão nas empresas.

Os jovens da Geração Z, os primeiros nativos 100% digitais, acabam por apresnetar números muito mais baixos que as gerações anteriores, representando menos de metade do tempo de permanência dos Baby Boomers (2,9 anos) e da Geração X (2,8 anos).
O novo relatório da Randstad Global, The Gen Z Workplace Blueprint, analisa os comportamentos e expectativas das pessoas nascidas entre 1997 e 2012 no mercado de trabalho.
Paradoxalmente, a Geração Z é a que mais pondera os seus objetivos a longo prazo ao avaliar novas oportunidades, com 85% a considerá-los um fator decisivo.
A falta de oportunidades de progressão surge como o segundo maior motivo para a mudança de emprego, superado apenas pelo salário. Este cenário é agravado pela escassez de funções de entrada no mercado: a nível global, os anúncios de emprego para perfis júnior caíram 29% desde janeiro de 2024.
As quebras foram particularmente acentuadas em setores como a tecnologia (-35%), a logística (-25%) e as finanças (-24%). Como resultado, mais de metade dos jovens desta geração (52%) estão ativamente à procura de uma nova oportunidade de trabalho, e apenas 11% planeiam ficar a longo prazo na função atual.

O estudo revela uma dualidade interessante no perfil destes jovens, que demonstram uma elevada confiança digital aliada a uma notável insegurança profissional.
Enquanto 79% afirmam aprender novas competências rapidamente , 41% admitem não ter confiança para encontrar outro emprego. Além disso, 44% reconhecem que a função atual não corresponde ao emprego com que sonham.
Outro traço que define esta geração é a ascensão das atividades paralelas, os chamados side hustles. Apenas 45% dos jovens da Geração Z têm um único emprego a tempo inteiro, um valor significativamente inferior ao das gerações anteriores. Muitos conciliam a atividade principal com outros trabalhos, seja por necessidade financeira ou pela busca de maior propósito e flexibilidade.
A inteligência artificial no cenário de empresa da Geração Z
Sendo nativos digitais, a Geração Z lidera a adoção da Inteligência Artificial (IA) no local de trabalho, mas encara-a com uma mistura de entusiasmo e ansiedade.
Segundo os dados partilhados, 55% já usam IA para resolver problemas no trabalho. 75% utilizam-na para aprender novas competências, um valor superior ao dos Millennials (71%) e Baby Boomers (49%). Na própria procura de emprego, 50% recorrem à IA, em contraste com 37% da Geração X e 29% dos Baby Boomers.
Apesar da elevada adoção, 46% temem o impacto da IA nas carreiras, um aumento face aos 40% registados em 2023.
O acesso à formação em IA ainda não é equitativo: 46% dos homens receberam formação na área, enquanto apenas 38% das mulheres tiveram a mesma oportunidade.
“A Geração Z está a transformar profundamente o mundo do trabalho. Apesar da sua ambição e confiança digital, estes jovens sentem-se muitas vezes limitados pela falta de progressão e por um mercado que oferece menos oportunidades de entrada”. Roseiro conclui que “cabe às empresas criar percursos de carreira claros, programas de desenvolvimento inclusivos e estratégias de aprendizagem digital-first que ajudem os jovens a prosperar e a permanecer mais tempo nas organizações”.
Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal
Imagem de capa: Talkdesk Inc




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Olá Joana
Obrigado pelo reparo, créditos adicionados ao artigo.