Uma investigação deu a conhecer uma nova técnica que está a ser utilizada para atacar smartphones Android.
Através do uso de credenciais Google comprometidas, os atacantes conseguem localizar e até formatar os smartphones.
Find Hub do Android está a ser utilizado para ataques de hackers
Os hackers estão novamente a explorar ferramentas legítimas para fins maliciosos e desta vez o alvo é o Google Find Hub, o sistema integrado que permite localizar e apagar remotamente dispositivos Android.
De acordo com um relatório da empresa de cibersegurança Genians, um grupo de hackers apoiado pelo Estado norte-coreano tem utilizado este serviço para rastrear e eliminar remotamente dados de smartphones e tablets das vítimas.
O ataque começa com a distribuição de ficheiros maliciosos através da aplicação de mensagens KakaoTalk, muito popular na Coreia do Sul.
Uma vez instalados, esses ficheiros permanecem inativos no dispositivo até que os atacantes executem scripts adicionais, capazes de monitorizar o sistema e roubar credenciais de contas Google e outros serviços.

Com estas credenciais, os hackers conseguem aceder ao Find Hub e utilizá-lo para seguir a localização das vítimas e redefinir os dispositivos à distância, apagando todos os dados.
Segundo a Genians, este é o primeiro caso confirmado em que um grupo de ciberespionagem patrocinado por um Estado conseguiu controlar remotamente dispositivos Android através de contas Google comprometidas, aproveitando-se de uma funcionalidade legítima criada para proteger utilizadores.
Além disso, os atacantes terão também conseguido aceder às câmaras dos dispositivos, permitindo-lhes observar os utilizadores e agir quando estes se afastavam.
Perante o incidente, a Genians recomenda que todos os utilizadores alterem regularmente as palavras-passe das suas contas Google e ativem a autenticação de dois fatores (2FA). A empresa sugere ainda que a Google implemente um sistema de verificação adicional antes de permitir ações críticas como o “remote wipe”, podendo incluir autenticação biométrica ou a introdução de um PIN.
A Google reagiu oficialmente ao caso, esclarecendo que não se tratou de uma falha de segurança no Android nem no Find Hub, mas sim de um ataque que dependia da instalação prévia de malware num computador, usado para roubar as credenciais das vítimas.
A empresa reforçou o apelo à ativação de passkeys ou autenticação em dois passos, e lembrou que utilizadores de alto perfil ou sob risco de ataques direcionados podem inscrever-se no seu Programa de Proteção Avançada, que oferece camadas adicionais de segurança.


