A rápida integração da Inteligência Artificial (IA) está a transformar o mapa de risco cibernético do tecido empresarial português.
De acordo com a 10ª edição do Relatório de Ciberpreparação da Hiscox de 2026, 92% das pequenas e médias empresas (PMEs) em Portugal que foram alvo de ciberataques nos últimos 12 meses registaram, pelo menos, um incidente associado a novas vulnerabilidades de Inteligência Artificial.
Inteligência Artificial cria novas vulnerabilidades para a segurança informática das empresas
Este número reflete um aumento alarmante de 44 pontos percentuais em relação aos 48% registados em 2025. A evolução reflete-se não apenas no volume de organizações afetadas, mas também na frequência dos incidentes. Segundo os dados, a média de ataques anuais ligados à Inteligência Artificial disparou de 1,60 para 3,48, o que se traduz num crescimento de cerca de 118% no espaço de um ano.
A inovação trazida por estas ferramentas tem um reverso da medalha, criando novos pontos de exposição para as organizações. Os dados revelam que 24% das empresas atacadas identificaram uma ferramenta ou software de IA como a porta de entrada para ataques bem-sucedidos.

A Hiscox adverte para os perigos da “shadow AI”, a adoção de soluções externas sem o conhecimento, supervisão ou controlo das equipas de segurança, o que compromete a gestão de dados e acessos.
Olhando para o futuro, os próximos cinco anos trazem novos receios para as organizações nacionais no que diz respeito à Inteligência Artificial:
- 46% apontam as vulnerabilidades em ferramentas de IA de terceiros como uma das três principais preocupações;
- 43% temem o envenenamento de dados de IA;
- 43% mostram-se preocupadas com malware ou phishing baseado em IA;
- 40% referem a utilização de dados ou modelos de IA comprometidos como uma ameaça principal;
- 40% destacam o risco da dependência excessiva da IA e a consequente diminuição da supervisão humana.

Ana Silva, Cyber Lead da Hiscox Ibéria, alerta que “os dados mostram que estas vulnerabilidades já estão a materializar-se em ataques” e que “a adoção de IA deve ser acompanhada por uma estratégia de segurança igualmente rápida”. A responsável sublinha que o objetivo não é travar a inovação, mas garantir a implementação de mecanismos de controlo adequados.
O impacto desta vaga de ameaças está, de facto, a condicionar a própria transformação digital. O relatório revela que 42% das organizações portuguesas que sofreram ataques acabaram por adiar a adoção de Inteligência Artificial ou de outras tecnologias.
Para combater esta realidade, as empresas estão a reajustar as estratégias e prioridades de investimento:
- 42% das PMEs preveem internalizar parte do trabalho ligado à IA;
- 35% apostam na formação das suas equipas e na realização de auditorias regulares;
- 34% procuram assegurar que os seguros cibernéticos cobrem os novos riscos gerados pela Inteligência Artificial.



