Um estudo divulgado pela Fortinet alerta para o facto de a Inteligência Artificial ser critíca para a cibersegurança, algo que tem vindo a ser cada vez mais uma aposta de todas as empresas.
No entanto, o mesmo relatório indica que a falta de competências na Iprópria Inteligência Artificial se tornou num novo risco para o cenário da cibersegurança, deixando esta tecnologia como um sinal de alerta nos dois lados da segurança informática.
Inteligência Artificial pode fazer toda a diferença, desde que haja conhecimento sobre a mesma
A Fortinet, líder global em cibersegurança, divulgou o “2025 Global Cybersecurity Skills Gap Report“, um relatório que analisa os desafios persistentes causados pela escassez de profissionais qualificados na área.
O estudo revela um paradoxo: enquanto a Inteligência Artificial (IA) é vista como crucial para colmatar a lacuna de competências, a falta de conhecimento na própria IA tornou-se um dos maiores desafios para uma implementação bem-sucedida.

O relatório sublinha a urgência em investir em talento, com Carl Windsor, CISO da Fortinet, a afirmar que “sem colmatar a lacuna de competências, as organizações continuarão a enfrentar taxas crescentes de ameaças e custos cada vez mais elevados”.
A escassez de competências está diretamente ligada ao aumento de violações de segurança. De acordo com o relatório, 86% das organizações sofreram pelo menos um ataque em 2024, um aumento face aos 80% registados em 2021. Quase um terço (28%) relatou cinco ou mais ataques, contra apenas 19% em 2021.
Mais de metade dos inquiridos (54%) apontou a falta de competências e formação em segurança como uma das principais causas das violações além de que os impactos financeiros continuam a ser severos: 52% das organizações afirmam que os ciberataques custaram mais de 1 milhão de dólares em 2024.

A adoção de tecnologia de segurança com Inteligência Artificial é generalizada, com 97% das organizações a utilizá-la ou a planear a implementação da mesma. A maioria dos profissionais (87%) espera que a IA melhore as funções e alivie a pressão causada pela falta de pessoal, em vez de os substituir.
No entanto, o estudo revela uma nova lacuna de competências:
- Falta de conhecimento: Quase metade (48%) dos decisores de TI aponta a falta de pessoal com conhecimentos suficientes em Inteligência Artificial como o maior desafio para uma implementação bem-sucedida;
- Ferramentas não são o suficiente: 76% das organizações que sofreram nove ou mais ciberataques em 2024 já tinham ferramentas de IA implementadas, “sugerindo que a adoção por si só não é suficiente sem os conhecimentos adequados”.
A cibersegurança tornou-se uma prioridade ao nível dos Conselhos de Administração, com 76% a reforçarem a atenção sobre o tema em 2024. Apesar disto, a compreensão dos novos riscos é limitada, com os dados a apontar que menos de metade (49%) dos inquiridos acredita que os conselhos “compreendem plenamente os riscos associados à Inteligência Artificial”.
No que diz respeito à contratação, as certificações continuam a ser altamente valorizadas, com 89% dos decisores a preferirem candidatos certificados. Contudo, o relatório aponta para uma diminuição no apoio das empresas ao financiamento dessas certificações, com apenas 73% a afirmarem estar dispostas a pagar pela formação dos funcionários, uma queda acentuada face aos 89% registados em 2023.
Para enfrentar esta escassez, a Fortinet está a promover iniciativas através do Fortinet Training Institute , com o objetivo de formar 1 milhão de pessoas em cibersegurança até ao final de 2026



