A Inteligência Artificial e a criatividade são amigos ou inimigos?

François-Xavier Pierrel, Edith Yeung e Sean MacDonald reuniram-se na Web Summit para falar da sua especialidade, a inteligência artificial aliada ao ser humano e à sua criatividade.

Podem as duas coisas coexistir no mesmo universo e ajudarem-se mutuamente ou será que uma acaba por condicionar a outra? Os três especialistas parecem concordar quanto à resposta.

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“Eu não acredito que estas coisas possam ser criadas por inteligência artificial, precisam sempre da parte criativa humana”

São dois mundos que, à partida, são opostos. A Inteligência Artificial trata-se de algo mais certo e (quase) sem falhas que consegue ir aprendendo de forma autónoma novas capacidades de forma a aprimorar as suas habilidades. A criatividade humana é algo mais abstrato e que ninguém sabe bem onde pode começar e acabar nem o que poderá surgir como resultado final.

Para Sean MacDonalds, Global Chief Digital Officer na McCann Worldgroup, a inteligência artificial é muito poderosa e tem a capacidade de ligar ambas as ideias. Um dos exemplos que deu em palco foi o facto de ter sido criado uma espécia de sósia de um rapaz que havia falecido (com as suas limitações e apenas com acesso a determinada informação) de forma a permitir uma última interação entre “o rapaz” e a família.

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“Eu não acredito que este tipo de coisas possam algum dia ser criadas apenas pela inteligência artificial”, afirma MacDonalds. Desta forma o especialista marca logo a posição que defende: a inteligência artificial e a criatividade humana podem ser usadas para se complementarem uma à outra.

Edith Yeung, General Partner na Race Capital, pega numa abordagem diferente. “Um grande problema é que imensas pessoas gastam milhões em publicidade nas redes sociais, mas no final não sabem onde é que esse dinheiro está a ser investido”, explicou à plateia presente no palco Panda Conf. Isto porque o investimento feito nestas plataformas acaba por estar dependente da capacidade o algoritmo da rede de gerir e entregar a publicidade a quem, alegadamente, parece interessado, sem que o investidor saiba ao certo para onde foi dirigida a publicidade que pagou.

Neste caso, a especialista defende que a criatividade tem um papel importante, pois cabe ao ser humano gerir a forma como a IA vai distribuir o conteúdo de forma a garantir um melhor investimento por parte de quem fornece o dinheiro à empresa.

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Outro exemplo que Yeung trouxe a palco é de que em programas/aplicações de identificação de pessoas, “eu sou sempre identificada como japonesa e, na verdade, eu sou chinesa”. Isto baseia-se numa análise de que a maioria das pessoas naquela zona ou com determinadas semelhanças entre si são japonesas e acaba por limitar a identificação dos restantes.

Estes problemas precisam de ser resolvidos e não vai ser possível sem recorrer ao ser humano e à capacidade que o mesmo tem de arranjar soluções. A Inteligência Artificial não será capaz de resolver o problema de forma autónoma por muito que consiga melhorar as suas capacidades.

François-Xavier Pierrel, Group Chief Data Officer na JCDecaux, defende que para que as pessoas possam confiar na inteligência artificial é necessário “desmistificar e simplificar o que é esta tecnologia”.

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“Temos tantas coisas engraçadas, filmes, séries e até mesmo uma simples calculadora, tudo mostra um pouco do que a Inteligência Artificial consegue fazer”, mas as pessoas têm a tendência a complicar e a querer ver o lado mais negativo de tudo. Pierrel conclui indicando que “não é necessário criar um problema em torno do tema”, defendendo que as duas realidades podem perfeitamente existir e trabalhar em conjunto.

Edith Yeung encerra a sessão com a indicação de que “temos de nos educar a nós de forma a podermos educar os outros”.

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