Um novo estudo da empresa de cibersegurança Surfshark alerta para o problema do bloatware (aplicações pré-instaladas de fábrica), revelando que o excesso de aplicações começa logo no primeiro dia em que se liga um telemóvel novo, seja ele um iPhone, ou qualquer modelo Android.
A análise da Surfshark concluiu que a Apple oferece a maior liberdade para apagar aplicações nativas nos iPhone, contrastando fortemente com a inflexibilidade de marcas como a Google e a Samsung.
iPhone sempre foi conhecido por ser mais fechado, mas aparentemente oferece maior liberdade
De acordo com a pesquisa, baseada em dados recolhidos a 2 de setembro de 2026, o utilizador médio de smartphone possui entre 60 a 90 aplicações instaladas, mas usa apenas cerca de 10 por dia e 30 por mês. Isto significa que entre 60% e 70% das aplicações permanecem inativas em segundo plano, muitas vezes a recolher dados pessoais silenciosamente.

A análise da Surfshark, que cruzou a base de dados da Bayton com o projeto Universal Debloater Alliance Next Generation, traça o seguinte cenário:
- Apple (iPhone): Os iPhone trazem 50 aplicações pré-instaladas. Na União Europeia, os utilizadores conseguem eliminar em segurança 48 destas aplicações (98%), enquanto noutras regiões o limite é de 88%. Em média, estas aplicações recolhem 8 tipos de dados;
- Samsung: É a marca com mais bloatware, liderando com 88 aplicações pré-instaladas. Destas, apenas 50 (57%) podem ser removidas sem afetar o telemóvel. Recolhem, em média, 13 tipos de dados;
- Xiaomi: Os smartphones vêm com 61 aplicações de fábrica. O utilizador pode remover em segurança 35 delas (57%). Destacam-se por serem as que recolhem mais informação em média: 16 tipos de dados por aplicação;
- Google: Oferece a menor flexibilidade de todo o estudo, incluindo 71 aplicações nativas. Os utilizadores apenas conseguem apagar em segurança 27 aplicações (38%). Estas recolhem uma média de 13 tipos de dados.
O estudo sublinha que alguns dispositivos incluem aplicações de terceiros pré-instaladas que representam uma forte invasão de privacidade, especialmente quando nunca chegam a ser abertas.

Nos telemóveis da Samsung, o Facebook e o Instagram vêm pré-instalados e são, também, os que mais dados informação tentam recolher do utilizador, sendo que cada um recolhe 37 dos 38 tipos de dados listados na Google Play (97%).
Outras aplicações como a Netflix e o Microsoft OneDrive também marcam presença de fábrica nesta marca. Já nos ecossistemas da Google e da Xiaomi, o Google Gemini e a aplicação Google lideram a recolha, acedendo a 29 dos 38 tipos de dados possíveis.
Tomas Stamulis, diretor de segurança da Surfshark, deixa o alerta: “Embora certos dados sejam necessários para o funcionamento básico do serviço, as entidades podem recolher informações para fins de publicidade direcionada ou podem até partilhá-las com terceiros não identificados”.
O especialista recomenda vivamente que os utilizadores analisem as permissões, desativem ou apaguem as aplicações que não utilizam e optem por alternativas de terceiros mais focadas na privacidade, de forma a mitigar a exposição de dados como localizações precisas ou endereços físicos.



