Apesar de os motores de busca e as redes sociais dominarem o consumo semanal feito pelos portugueses, os canais de televisão abertos, os jornais e a rádio continuam a liderar os índices de credibilidade.
A conclusão é da edição de 2026 do estudo Meaningful Media, promovido pela Havas Media Network, que revela ainda que 68% dos portugueses já utilizam aplicações de Inteligência Artificial (IA) todas as semanas.
Portugueses rendidos à tecnologia, mas fiéis ao passado
Os dados mais recentes do estudo demonstram que a utilização de um meio começa a afastar-se da relevância e da perceção de indispensabilidade. Entre os portugueses com idades entre os 15 e os 64 anos, os motores de busca (96%) e as redes sociais (94%) assumem a liderança no que diz respeito ao consumo semanal. No entanto, esta relevância funcional não se traduz em níveis equivalentes de confiança.
Em sentido inverso, os meios de comunicação tradicionais, vulgarmente designados por legacy media, continuam a beneficiar do valor da curadoria editorial, da autoridade institucional e da confiança consolidada ao longo do tempo.
Os canais de televisão abertos mantêm-se assim como o meio mais credível para os portugueses (71%), seguidos de perto pelos jornais (58%) e pela rádio (57%).

Estes valores são explicados pelo atual contexto de incerteza, que fomentou uma dupla necessidade nos consumidores. Por um lado, os portugueses procuram conteúdos leves e rápidos nas redes sociais, utilizando-as como uma válvula de escape e como o principal ponto de contacto para entretenimento, descoberta e atualização. Por outro lado, recorrem aos meios tradicionais sempre que necessitam de aceder à informação “que realmente importa”.
Um dos grandes destaques da edição de 2026 recai sobre o crescimento da Inteligência Artificial. Com uma taxa de utilização semanal na ordem dos 68%, as aplicações de IA encontram-se já ao mesmo nível de penetração que a televisão por subscrição. Esta tecnologia apresenta uma adoção particularmente forte entre os mais novos, integrando o topo dos cinco meios mais consumidos semanalmente na faixa etária dos 15 aos 24 anos.

Atualmente, o uso da IA assume um cariz sobretudo funcional, servindo para procurar informação, esclarecer dúvidas, comparar alternativas e apoiar a tomada de decisão. Contudo, o estudo alerta para um potencial superior, antecipando que os utilizadores comecem a criar ligações emocionais com estas plataformas, à semelhança da realidade já observada nos Estados Unidos.
Sofia Vieira, Insights e Strategy Director da Havas Media Network, destaca que a crescente fragmentação do panorama mediático obriga a uma visão multifatorial.
“Já não basta saber onde está a audiência. É fundamental compreender porque é que as pessoas utilizam cada meio e o que procuram em cada momento. A mesma pessoa pode recorrer às redes sociais para entretenimento, à Inteligência Artificial para resolver problemas, à televisão para obter informação credível, à rádio para companhia e à imprensa para validação”
Para as marcas e agências, o desafio atual passa assim por orquestrar esta complexidade, compreendendo que o valor de um meio de comunicação não se afere apenas pela frequência com que é utilizado, mas sim pelo papel específico que desempenha no quotidiano de cada indivíduo.
O estudo Meaningful Media 2026 foi realizado pela Havas Media Network através de 600 entrevistas online (metodologia CAWI) a indivíduos residentes em Portugal Continental, com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos. A amostra apresenta uma margem de erro de +/- 4% para um intervalo de confiança de 95%.



