A SEAT, marca espanhola com 76 anos de história e modelos icónicos como o Ibiza, o Leon e o Arona, poderá desaparecer até ao final de 2029.
Segundo um documento interno da Volkswagen obtido pela imprensa alemã, a marca foi retirada do planeamento estratégico de longo prazo do grupo, que prefere concentrar recursos na CUPRA.
Volkswagen quer transferir produtos e produção da SEAT para a CUPRA num processo gradual até 2029
O documento, preparado para uma reunião do Conselho de Supervisão da Volkswagen e divulgado pela WirtschaftsWoche, indica que os produtos, operações comerciais e infraestrutura de produção da SEAT deverão ser transferidos para a CUPRA sempre que possível.
Manter a SEAT na sua forma atual implicaria, segundo o grupo alemão, a utilização de recursos adicionais que a Volkswagen não quer disponibilizar e que poderá ser um dos pontos a cortar.
Os números explicam bem a mudança de estratégia. Em 2025, SEAT e CUPRA venderam juntas 586.300 veículos, mas enquanto as vendas da CUPRA cresceram 33%, as da SEAT caíram 17%.
A CUPRA, que nasceu em 2018 como divisão desportiva da empresa espanhola, tornou-se uma marca independente e é agora claramente a aposta do grupo. A Volkswagen quer que a CUPRA atinja sozinha entre 500.000 e 600.000 unidades vendidas por ano.

A diferença de tratamento na eletrificação é outro sinal evidente. A CUPRA recebe novos modelos e investimentos, incluindo o futuro Raval elétrico, enquanto a SEAT continua sem um modelo elétrico de produção própria, numa altura em que o grupo acelera a transição para os veículos elétricos.
O possível fim da SEAT acontece num momento de profunda reestruturação da Volkswagen, que está a preparar cortes significativos para reduzir a capacidade anual de produção de cerca de 12 milhões para nove milhões de veículos, num contexto de vendas mais fracas na China, maior concorrência e custos elevados de eletrificação.
Oficialmente, a Volkswagen não confirmou o fim da marca espanhola. A SEAT/CUPRA afirmou que o grupo está a trabalhar num plano de transformação mas que não foram tomadas decisões estratégicas definitivas.
A confirmar-se, a transição será gradual ao longo dos próximos três anos, com 2029 a poder marcar o fim de uma marca com mais de sete décadas de história.



