A Trionda salvou Portugal e é a bola mais tecnológica que o futebol já viu

Aos 113 minutos do jogo entre Portugal e a Croácia, com o marcador em 2-1 e a qualificação para os oitavos de final praticamente garantida, a Croácia marcou.

Marco Pasalic, em posição irregular, aproveitou um desvio de cabeça de Igor Matanovic para empatar. O golo foi validado, o VAR foi chamado, as imagens foram revistas repetidamente e a dúvida persistia.

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O que resolveu a questão não foi nenhuma câmara, nem nenhum árbitro assistente. Foi um chip dentro da bola.

O sensor da Adidas Trionda captou o toque de cabeça de Matanovic de forma inequívoca, fornecendo o dado exato que as imagens de televisão não conseguiam confirmar com precisão suficiente.

Portugal estava salvo. Mas o episódio levanta uma questão mais interessante do que o resultado. O que é exatamente esta bola, e como é que um sensor consegue o que o olho humano e as câmaras de alta velocidade não conseguiram?

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Trionda: a bola oficial do Mundial 2026 que é também um dispositivo electrónico

A Trionda foi desenvolvida pela Adidas para o Mundial que decorre nos Estados Unidos, México e Canadá. O nome vem do espanhol e significa “três ondas”, em referência aos três países anfitriões. Mas é o que está dentro dela que a torna verdadeiramente única.

No interior da bola existe um chip de Unidade de Medição Inercial (conhecido pela sigla IMU) fornecido pela empresa alemã Kinexon.

Este sensor opera a uma frequência de 500 Hz, o que significa que regista e transmite 500 pacotes de dados por segundo, sem fios, para antenas instaladas nas coberturas dos estádios.

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Cada pacote contém informação sobre aceleração tridimensional, velocidade angular e rotação da bola. Em termos práticos, o sensor sabe exactamente quando a bola foi tocada, por qual ponto, com que força e em que direcção em cada um desses 500 momentos por segundo.

Para comparação, as câmaras de transmissão televisiva registam entre 50 e 60 fotogramas por segundo. A Trionda capta dez vezes mais informação do que qualquer câmara presente nos estádios, o que elimina as margens de erro que durante décadas tornaram os lances de impedimento uma fonte de controvérsia permanente.

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A posição do chip também mudou em relação ao Mundial anterior. No Qatar 2022, o microchip da bola Al Rihla estava suspenso exactamente no centro geométrico da câmara de ar, sustentado por doze cabos tensores eléctricos. Na Trionda, o chip foi embutido numa cavidade interna selada num dos quatro painéis sintéticos da carcaça exterior, uma alteração estrutural que muda a distribuição de peso e a física da bola em campo.

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Falando em painéis, a Trionda é também a primeira bola de um Mundial masculino construída com apenas quatro painéis, ao contrário dos tradicionais 32. As costuras profundas foram desenhadas para proporcionar maior estabilidade durante o voo e a superfície inclui elementos em relevo que melhoram a aderência em condições de chuva ou humidade.

A parte caricata para muitos é que, como qualquer dispositivo electrónico, a Trionda tem bateria e precisa de ser carregada. A versão de jogo, usada nos estádios, é recarregada regularmente entre partidas. A versão comercial vendida ao público não inclui o sensor nem o sistema de carregamento. Pode também comprar a réplica mais económica aqui.

Os dados gerados pelo chip não funcionam de forma isolada. São combinados em tempo real com os algoritmos de inteligência artificial da FIFA e com as imagens captadas por câmaras de alta velocidade instaladas nos estádios, que rastreiam os jogadores e geram avatares digitais tridimensionais fotorrealistas.

É este conjunto de informação, entre bola, câmaras e IA, que permite ao VAR reconstruir um lance com uma precisão que seria impossível há apenas alguns anos.

Foi exatamente esse sistema que, ontem à noite, confirmou o toque de cabeça que a olho nu ninguém conseguia ver com certeza. A tecnologia não substituiu o futebol, mas ajudou a garantir que a decisão certa foi tomada no momento certo.

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