União Europeia: obrigação para utilizar portas USB-C em todos os equipamentos (incluindo nos iPhone)

A Comissão Europeia, instituição que é politicamente independente e que representa e defende os interesses da União Europeia, propôs esta quinta-feira a harmonização das portas de carregamento dos equipamentos eletrónicos, sendo que a ideia será forçar todos os fabricantes a adotarem a entrada USB-C.

O principal objetivo desta proposta é combater o “lixo eletrónico” produzido e, ao mesmo tempo, algumas das frustrações dos consumidores que se encontram obrigados a procurar diferentes soluções para poderem carregar cada um dos seus aparelhos.

Uniao Europeia Bandeira Europa
Publicidade

USB-C poderá vir a ser obrigatório da União Europeia

A regra proposta para a União Europeia visa os equipamentos como os smartphones, mas também todos os tablets, colunas portáteis, consolas e câmaras fotográficas e de vídeo.

Além desta obrigação, os fabricantes podem ainda vir a ser forçados a permitir o uso dos carregamentos rápidos proprietários de cada um recorrendo a qualquer cabo com essa capacidade independentemente da marca assim como devem fornecer aos consumidores o tipo de padrão utilizado e suportado para o carregamento rápido.

A proposta foca-se apenas em equipamentos que possibilitam o carregamento por cabo, não sendo abrangidos os carregadores sem fios nesta proposta. Isto significa que os fabricantes só poderão ser obrigados a cumprir estar normas se os seus equipamentos carregarem via cabo.

usb-c cabo

Caso se trate de um dispositivo que carrega exclusivamente via wireless a União Europeia não terá qualquer restrição para esta tecnologia e cada fabricante poderá recorrer ao tipo de tecnologia que achar mais apropriado.

A proposta terá de passar por uma revisão e por uma votação na Diretiva de Equipamentos de Rádio (RED). Caso seja aprovada, passará então a ser uma lei imposta na União Europeia e, em principio, os fabricantes vão ter 24 meses para se adaptarem às novas regras.

Anteriormente, em 2020, o parlamento já havia votado a favor da existência de um carregador comum a todos, pelo que esta proposta apresentada agora pode ter boas hipóteses de se tornar uma lei.

Thierry Breton, comissário da União Europeia, explicou que “com a nossa proposta, os consumidores europeus vão ser capazes de utilizar um único carregador para todos os equipamentos eletrónicos portáteis – um passo importante para aumentar a conveniência e reduzir o desperdício”.

Neste momento, a proposta foca-se apenas em harmonizar todas as entradas dos equipamentos, ou seja, apenas uma das pontas do cabe deverá ser igual para todos. Futuramente é esperada uma mudança nesse cenário e deverá avançar-se também com a harmonização da outra ponta, de forma a que seja apenas um cabo para todos os transformadores e equipamentos.

carregador usb-c usb

Uma empresa que, ao que tudo indica no momento, deverá ser mais afetada na sua estratégia será a Apple que, mesmo já tendo adotado as entradas USB-C para os iPad e para os MacBook, continua a apostar na porta Lightning para os iPhone.

Caso a lei seja criada, a empresa de Cupertino terá de avançar com a mudança para uma porta USB-C nos seus smartphones ou seguir para um equipamento sem carregamento por cabo e que suporte apenas o carregamento sem fios, pelo menos dentro da União Europeia.

Já em 2009 a Samsung, Apple, Huawei e Nokia haviam assinado um acordo voluntário que visava o uso de uma ligação standard para os seus equipamentos. Este acordo levou a que deixassem de existir tantas entradas diferentes (cerca de 30 na altura) para, aos poucos, começarem a implementar na sua grande maioria apenas três portas – Micro USB, USB-C e Lightning).

aaditya ailawadhi edqDGc4joDo unsplash União Europeia

A Apple foi a única que fugiu ligeiramente ao acordo nunca tendo chegado a colocar diretamente uma porta Micro USB nos seus equipamentos, optou apenas por oferecer aos consumidores um adaptador de Micro USB para o seu adaptador de 30 pins da altura.

Mesmo agora, com a nova proposta, a empresa de Cupertino não se mostrou a favor da ideia apresentada à União Europeia indicando que impor este tipo de restrições “limita a inovação em vez de a encorajar”.

Partilhe este artigo

Deixe um comentário

Publicidade