O mercado global de smartphones está a contrair a um ritmo que não se via desde 2013, mas há um dado que muda completamente a leitura da crise.
Os fabricantes estão a faturar mais do que nunca.
Omdia prevê menos 153 milhões de smartphones vendidos em 2026 mas receitas sobem 10% para 651 mil milhões de dólares
Segundo as previsões da Omdia, serão entregues cerca de 1.097 mil milhões de smartphones em 2026, uma queda de 12% face ao ano anterior e menos 153 milhões de unidades.
Em 2027 a tendência deverá continuar, com os envios a aproximarem-se perigosamente da barreira dos mil milhões de unidades.
No entanto, apesar da queda em volume, as receitas conjuntas dos fabricantes sobem mais de 10% para cerca de 651,6 mil milhões de dólares.

A explicação é simples. Vendem-se menos smartphones mas cada vez mais caros. Em 2025, os smartphones abaixo dos 200€ representavam 40,6% do mercado. Em 2026 esse valor caiu para 25,6%. No extremo oposto, os modelos acima dos 800€ passaram de 21,1% para 28,4% do mercado em apenas 12 meses.
As causas desta transformação são múltiplas. Os períodos de suporte alargados de cinco a sete anos oferecidos pela Apple, Samsung e Google reduzem a urgência de atualizar. A tecnologia está mais madura e o 5G está mais disseminado, tornando mais difícil justificar uma substituição antecipada.

A escassez global de memória RAM limitou os avanços nas especificações em bruto e os consumidores preferem cada vez mais investir num smartphone premium que dure vários anos a comprar um modelo mais barato que ficará obsoleto mais rapidamente.
O resumo é claro, o mercado de volume está a encolher mas o mercado de valor está a crescer e por agora as contas continuam a fechar para os fabricantes.


