Violência de género é justificada uma em cada cinco vezes em notícias

Segundo o relatório da LLYC, “Desfocadas: Como opinar e informar melhor sobre a violência de género”, 20% das notícias publicadas continuam a justificar as agressões e uma em cada seis viola a intimidade das vítimas.

Utilizando a inteligência artificial, a LLYC comparou 5,4 milhões de notícias e 14 milhões de mensagens nas redes sociais sobre a violência de género com recomendações de organismos internacionais como a ONU.

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Violência de género continua a ser algo bastante presente nos dias atuais

Os meios de comunicação social consciencializam, sensibilizam e previnem a violência de género duas vezes mais do que nas redes sociais, que são mais sensacionalistas. No entanto, 20% das notícias publicadas continuam a justificar as agressões e uma em cada seis viola a intimidade das vítimas, através da exposição de dados pessoais que estas prefeririam evitar.

Além disso, no geral, terminam sempre por fornecer muito mais informações sobre a vitima do que sobre o agressor, com um total de cerca de 75% mais menções aos atributos das vítimas.

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Um ponto apontado pela LLYC no tópico da violência de género, é que o negacionismo alimenta-se a si próprio, ou seja, uma insinuação nos meios de comunicação social acaba por se multiplicar por quatro na conversa social.

Estas são algumas das conclusões do relatório “Desfocadas: Como opinar e informar melhor sobre a violência de género” realizado pela LLYC no âmbito do dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher. A APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) associa-se à divulgação desta iniciativa da LLYC.

Para a elaboração deste estudo, a equipa de Deep Learning da LLYC analisou durante um ano 226,2 milhões de artigos de notícias gerais, 5,4 milhões de notícias sobre a violência de género e 14 milhões de mensagens na rede social X relacionadas com a violência de género nos 12 países onde a consultora está presente (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, Estados Unidos, México, Panamá, Peru, Portugal e República Dominicana).

A investigação utilizou Large Language Models (LLM- GPT4) para identificar e isolar descritores direcionados à vítima e ao agressor nas notícias públicas obtidas através de modelos de scrapers, bem como técnicas de Processamento de Linguagem Natural (NLP) em 4 idiomas para analisar o cumprimento de 21 regras de boas práticas decorrentes das diretrizes de United Nations Development Programme (UNDP) e de Mediterranean Network of Regulatory Authorities (MNRA).

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“Aqueles que participam na conversa social sabem que dar visibilidade à violência de género é fundamental para avançar na sua erradicação. No entanto, fazê-lo mal pode ser contraproducente, gerando sensacionalismo e provocando uma dupla vitimização. Na LLYC, queremos não só evidenciar este risco, mas também fornecer ferramentas para evitá-lo”.

Luisa García, Sócia e COO Global da LLYC

Para além do relatório, a LLYC dá um contributo em termos de inovação. Para ajudar na focalização dos títulos de notícias com perspectiva de género, a empresa criou The Purple Check.

O The Purple Check trata-se de uma ferramenta de inteligência artificial que permite verificar se as palavras que utilizamos são corretas ou se incluem parcialidade.

image 4 violencia de genero

Neste caso, recomendará uma solução alternativa para dizer a mesma coisa de forma a informar sem promover a desigualdade e, assim, devolver o foco à comunicação. A ferramenta é de livre acesso porque contribuir para a mudança é tarefa de todos.

O relatório da LLYC chegou a diversas conclusões sobre a violência de género. Entre elas, a empresa divulgou que os meios de comunicação social falam mais da violência de género do que as redes sociais. Isto significa que, a cada 30 minutos, é publicada um artigo sobre violência de género, já na conversa social a frequência é 15 vezes menor.

Apesar da relevância que as redes sociais têm na vida das pessoas, os meios de comunicação destacam-se 2 vezes mais em sensibilização, prevenção e consciencialização do que as redes sociais.

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O mesmo estudo sobre a violência de género indica que o foco está nas vítimas e não nos agressores, sendo estas mais expostas com mais de 75% das menções a serem dirigidas aos atributos que a caracterizam (45% das menções referem a idade da vitima).

20% das notícias sobre violência de género justificam as agressões. Em alguns casos, são utilizados argumentos como problemas de dependência, ou inclusive a provocação por parte da vítima, para tentar explicar e justificar os atos violentos do agressor.

O relatório da LLYC refere ainda que as redes sociais são muito mais sensacionalistas que os meios de comunicação, recorrendo a palavras como “horrível”, “brutal”, “chocante”, etc. de forma a chamar a atenção do leitor.

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