Web Summit: O resumo do primeiro dia

O arranque da Web Summit 2021 começou para lá do meio da tarde, mas contou com uma grande diversidade de informação e muitos nomes puderam subir ao palco.

Deixamos-lhe um resumo do primeiro dia da Web Summit que foi focado inteiramente no palco central no Altice Arena.

Web Summit
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Diversas apresentações deram início à Web Summit

O evento começou de forma inesperada. Nenhum dos primeiros nomes a subir ao palco estavam na programação do Opening Night deixando toda a gente confusa ao início.

Pouco tempo depois deu para perceber a ideia, começaram com breves apresentações de diversas empresas presentes na Web Summit de forma a que, em cerca de 3 minutos, cada um tivesse a oportunidade de se destacar no palco e revelar o seu projeto.

Um dos exemplos foi Julio Martinez, da Abacum, que veio a palco apresentar a empresaque oferece um software colaborativo para as equipas financeiras. Também no palco, e menos ligado à tecnologia pura e dura, esteve Sara Marquart, da QOA, que apresentou uma ideia deliciosa.

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O principal objetivo da empresa é oferecer ao mercado uma alternativa ao chocolate que conhecemos nos dias de hoje eliminando o cacau do seu processo através da biotecnologia, aliando a ciência da comida à fermentação e originando o chamado QOA.

Filomena Cautela, a apresentadora portuguesa, esteve também presente na Web Summit para enretere dirigir a sessão de abertura durante um bom bocado. Entre risos e algumas brincadeiras com o público, a apresentadora deixou o palco minutos antes de ser a vez de Paddy Cosgrave tomar as rédeas do evento.

Como já se tornou hábito na Web Summit, Cosgrave pediu ao público que, antes de avançar com o programa, todos se levantassem e cumprimentassem a pessoa ao seu lado. Como ainda estamos a atravessar a pandemia COVID-19, o CEO pediu que se deixasse de parte os apertos de mão e apenas se lesse o código QR presente nas credências de cada pessoa enquanto se trocavam meia dúzia de palavras.

Paddy Cosgrave

Carlos Moedas, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, foi o primeiro convidado a subir ao palco da Web Summit após o início oficial da “Opening Night”. O presidente fez um breve discurso sobre inovação onde referiu algumas das palavras de Steve Jobs e, pelo meio da sua apresentação, auto-intitulou-se um dos “presidentes da inovação”.

Aproveitando o seu tempo em palco, Moedas mencionou que tem um sonho. “O meu sonho é que Lisboa se torne a capital mundial da inovação”, referiu o presidente que foi aplaudido por todo o Altice Arena após indicar que as pessoas devem ver Lisboa como um local para investirem e perseguirem os sonhos.

Os momentos chave do dia

A primeira conversa em palco foi com Nicolas Julia, CEO da Sorare, um jogo de futebol digital que utiliza a tecnologia blockchain baseada em Ethereum. Foi a base deste jogo o tema principal da conversa de forma a perceber melhor o que se pode alcançar com a tecnologia em questão.

Logo de seguida, subiu a palco Ayọ (fka Opal) Tometi, a co-fundadora do Black Lives Matter que cativou o público ao dar apresentar um dos discursos mais motivacionais da Web Summit. A filha de imigrantes nigerianos falou das espectativas que tinha em cima por, simplesmente, “ser negra e filha de imigrantes”.

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Opal explica que era esperado dela que se tornasse “engenheira, arquiteta ou mesmo médica”. No entanto, explica que os pais lhe deram uma educação diferente e que sempre se questionou “se devia estar aqui” ou não. Apesar de tudo, mostrou-se sempre feliz e orgulhosa de todas as escolhas e de tudo o que conseguiu alcançar.

Opal Tometi deu inicio ao movimento #BlackLivesMatter por esta acreditar que todos merecem uma oportunidade justa e igual em qualquer ramo. A ideia era criar um impacto forte por todo o mundo e foi graças a essa força de vontade e às suas crenças (assim como o apoio vindo de diversos locais) que este se tornou, “possivelmente”, o maior movimento de toda a história dos EUA.

“O status quo não tem de ganhar”, afirmou no palco da Web Summit, explicando que o movimento pode ser focado numa minoria, mas que com o apoio de todos os envolvidos que defendem a causa, esta minoria passa a ser uma maioria que consegue mover o mundo inteiro contra uma injustiça social vivida por toda a parte.

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O discurso de Opal terminou com imensos aplausos e com a pergunta dirigida a todos de “Quem vão ser quando saírem daqui?”.

Facebook Whistleblower

O caso seguinte a aparecer em palco na Web Summit teve início com Frances Haugen, uma ex-funcionária da empresa Facebook que trouxe a público diversas informações relacionadas com a empresa e com uma má conduta levada a cabo pela mesma.

Haugen revelou que a empresa quer enganar toda a gente quando indica que está a tentar combater a desinformação, o incentivo à violência e ao ódio.

No palco da Web Summit é explicado, juntamente com Libby Liu, que a empresa dá maior relevância a conseguir entregar maior número possível de artigos ou conteúdos diversos que sejam do interesse das pessoas e não se preocupa assim tanto com o controlo do que é exibido.

Web Summit

Isto leva a que a lista toda de acusações feitas contra a Facebook se tornem uma grande possibilidade, pois o algoritmo acaba por percorrer todo o tipo de conteúdo disponível de forma a disponibilizar para cada pessoa o maior número de informação (por mais pequena que seja) e independentemente da fonte de que provém.

“A minha mãe ensinou-me que todos os seres humanos têm direito a saber a verdade”, disse Frances Haugen. Foi com base nesta ideia que decidiu seguir os instintos e divulgar a informação que tinha na sua posse, tendo esta sido uma decisão que levou algum tempo a ser tomada devido aos aspetos morais e éticos da questão.

Quando questionada se alguma vez teve medo por estar a enfrentar algo tão poderoso, Frances admite que nunca teve medo depois de ter saído da empresa. “Eu tinha medo antes de sair de lá.”

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O rebranding da empresa para, agora, Meta, foi puxado para cima do palco e a ex funcionária da empresa não tem qualquer problema em referir que os problemas do Facebook vão continuar presentes na empresa independentemente das mudanças.

Frances Haugen foi questionada sobre Mark Zuckerberg, o atual CEO da Meta, e sobre as mudanças que a empresa anunciou com a mudança de nome. Haugen não foi direta ao assunto e aproveitou o momento para indicar que Zuckerberg “poderia fazer coisas tão boas noutros sítios”, dirigindo o seu discurso de forma a indicar que sim, concorda que o CEO deveria abandonar a empresa de forma a permitir que esta consiga, de facto, mudar.

“A minha esperança é que daqui a 5 anos o Facebook seja uma empresa ainda com mais sucesso devido à influência que lhes demos”, termina assim a sua entrevista.

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E foi então, com Paddy Cosgrave de regresso ao palco, que se deu como encerrada a Opening Night e se marcou, oficialmente, o início da edição de 2021 da Web Summit com coffetis à mistura.

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