Mosquitos na Europa vão ser combatidos pela Google e pela Rentokil

O combate à proliferação de insetos transmissores de doenças na Europa está a entrar numa nova fase tecnológica.

A Rentokil Initial estabeleceu uma parceria com a Debug, uma unidade da Google dedicada à investigação e erradicação de patologias associadas a mosquitos, para implementar um sistema de controlo biológico apoiado por Inteligência Artificial (IA).

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©Erik Karits
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O principal alvo da operação é o mosquito-tigre-asiático (Aedes albopictus), uma espécie invasora associada à transmissão de vírus como a dengue e a chikungunya.

Google e Rentokil querem travar os mosquitos antes que fiquem fora de controlo

O agravamento das alterações climáticas tem prolongado o período de atividade destes insetos no continente europeu, tendo já sido registados casos de transmissão autóctone de dengue em países como Espanha, França e Itália.

Em território português, a expansão da espécie está igualmente sob monitorização apertada. De acordo com dados da Direção-Geral da Saúde (DGS), a presença do mosquito-tigre-asiático já foi detetada em 40 municípios de norte a sul do país.

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Embora os relatórios da Rede de Vigilância de Vetores (REVIVE) confirmem que, até ao momento, não foram detetados agentes patogénicos nos exemplares recolhidos em Portugal nem casos de infeção local, a dispersão geográfica do inseto exige novas abordagens preventivas.

A solução desenvolvida pela Debug, a empresa da Google, e aplicada no terreno pela Rentokil baseia-se na chamada Técnica do Inseto Estéril (SIT). O processo combina automação avançada e algoritmos de Inteligência Artificial para criar mosquitos em larga escala e proceder à separação rigorosa entre sexos.

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O método funciona através da libertação exclusiva de mosquitos machos portadores de uma estirpe específica da bactéria Wolbachia (que ocorre naturalmente e impede a transmissão de vírus). O processo atua em duas frentes de segurança e eficácia:

  • Ausência de risco para a população: Ao contrário das fêmeas, os mosquitos machos não picam seres humanos, pelo que a libertação destes mosquitos em zonas urbanas não acarreta qualquer incómodo ou perigo sanitário;
  • Bloqueio reprodutivo: Quando os machos portadores de Wolbachia acasalam com as fêmeas selvagens presentes no ecossistema, os ovos resultantes não chegam a eclodir, provocando uma quebra progressiva na população local da espécie.
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Para Linus Upson, responsável máximo pela Debug, esta primeira aliança com uma empresa privada do setor é um passo fundamental para dar escala ao projeto.

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“O controlo mais eficaz dos mosquitos resulta de uma abordagem integrada que combina diferentes técnicas. A abordagem de supressão baseada em Wolbachia da Debug pode ser integrada nas operações existentes da Rentokil, permitindo uma expansão rápida. Em conjunto com a Rentokil, estamos a validar um modelo que permita responder ao risco crescente que estes mosquitos invasores representam em toda a Europa.”

Linus Upson, responsável máximo pela Debug

De Roma a Barcelona: reduções de 88% na fertilidade da espécie

Antes de chegar às ruas de forma operacional, a tecnologia foi validada em parceria com a agência de investigação italiana ENEA.

Durante um ensaio de dois anos realizado numa área suburbana de 53 hectares em Roma, a introdução de mosquitos com a estirpe ARwP permitiu reduzir em até 88% a produção de ovos férteis de mosquito-tigre-asiático face às zonas de controlo ao longo da época de 2025.

Com base nestes indicadores, o projeto avançou para a primeira implementação em larga escala num centro urbano europeu, mais especificamente, a cidade de Barcelona. Em articulação com a Agência de Saúde Pública local (ASPB), foram libertados mais de 1,5 milhões de mosquitos machos durante o verão, num ritmo médio de cerca de 80 mil exemplares por semana.

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Enquanto a tecnológica da Google garante a criação e triagem por IA dos insetos, a Rentokil e as autoridades de saúde locais asseguram a logística de libertação e a monitorização dos resultados através de uma rede de armadilhas.

O objetivo das duas entidades passa agora por transformar a operação catalã num modelo padronizado que possa ser replicado noutras regiões europeias afetadas pela praga.

Segundo Rubén Bueno Mari, entomologista e responsável pelo controlo de vetores para a Europa na Rentokil, a incorporação desta biotecnologia no portefólio da empresa permite finalmente “atuar sobre todas as fases do ciclo de vida dos mosquitos” para mitigar potenciais crises de saúde pública.

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