A Trump Mobile enfrenta um novo revés na promoção do seu smartphone T1 Phone.
A agência de relações públicas Poplar Group, responsável pela comunicação da marca durante cerca de um ano, confirmou que deixou de prestar serviços à empresa, numa decisão que aumenta as dúvidas em torno do projeto e da sua estratégia de comunicação.
Segundo informações divulgadas pelo portal tecnológico The Verge, a Poplar Group afirmou que já não está a colaborar com a Trump Mobile. A saída da agência é particularmente relevante porque ocorre num momento em que o T1 Phone enfrenta críticas relacionadas com a sua origem, especificações técnicas e posicionamento no mercado.
Um dos episódios mais controversos envolveu a alegação inicial de que o T1 Phone era fabricado nos Estados Unidos. Em junho de 2025, Chris Walker, representante da Poplar Group, afirmou ao jornal USA Today que o equipamento era produzido em território norte-americano.

No entanto, a Trump Mobile acabou por alterar a sua comunicação oficial, passando a utilizar a expressão “assembled in America” (montado nos Estados Unidos), uma mudança que levantou questões sobre a verdadeira origem dos componentes e do processo de produção do dispositivo.
O T1 Phone apresenta características consideradas medianas para o segmento de mercado em que pretende competir. Entre as principais especificações destacam-se:
- Ecrã de 6,8 polegadas;
- Câmara traseira principal de 50 MP;
- Câmara frontal de 50 MP;
- Bateria de 5.000 mAh;
- Carregamento rápido de 30 W;
- Armazenamento interno de 512 GB;
- Entrada tradicional para auscultadores de 3,5 mm.
O equipamento foi lançado com um preço de 499 dólares, valor que a empresa passou entretanto a classificar como um “preço introdutório”. A Trump Mobile afirma agora apenas que o futuro preço de venda será inferior a 1.000 dólares, sem avançar números concretos.

T1 Phone presenta reservas elevadas, mas vendas abaixo das expectativas
Apesar de a empresa ter anunciado que cerca de 600 mil pessoas efetuaram um depósito de 100 dólares para reservar o smartphone, o número efetivo de compradores parece ter ficado muito aquém das expectativas.
Caso todos os depósitos tenham sido concretizados, a empresa terá arrecadado aproximadamente 60 milhões de dólares em reservas. Contudo, a conversão dessas reservas em vendas reais continua envolta em incerteza.
A situação tornou-se ainda mais delicada quando a conhecida plataforma de reparação e análise tecnológica iFixit publicou uma investigação indicando que o T1 Phone seria, na prática, uma versão adaptada do HTC U24 Pro.
De acordo com a análise, ambos os equipamentos partilhariam elementos fundamentais de hardware, incluindo a placa principal e os conectores do ecrã, alimentando suspeitas de que o smartphone da Trump Mobile não corresponde ao produto original que a empresa procurou apresentar ao mercado.

