Um novo estudo da Sophos revela que, apesar da ameaça persistente do ransomware, o setor da saúde está a tornar-se mais resiliente.
O valor mediano dos resgates após um ataque de ransomware caiu 91% e a velocidade de recuperação dos sistemas duplicou no último ano.
Setor da saúde está mais resistente a ataques de ransomware
O setor da saúde continua a ser um dos alvos preferenciais do cibercrime, mas o cenário está a mudar.
Segundo o relatório anual “State of Ransomware in Healthcare 2025“, publicado esta semana pela Sophos, a tática dos atacantes evoluiu: a extorsão de dados sem encriptação triplicou desde 2023, atingindo a taxa mais elevada entre todos os setores analisados.
Em contrapartida, a encriptação de dados, a técnica mais tradicional do ransomware, caiu para o valor mais baixo dos últimos cinco anos, afetando agora 34% das organizações.
A boa notícia para os prestadores de cuidados de saúde reside na capacidade de resposta. Em 2025, 58% das organizações conseguiram recuperar os sistemas em apenas uma semana, um salto significativo face aos 21% registados em 2024.

Esta maior resiliência reflete-se também na carteira das instituições, uma vez que apenas 36% das organizações de saúde pagaram o resgate em 2025, contra os 61% verificados em 2022. Além disso, os valores pagos também reduziram, com o valor médio dos pagamentos a cair 91% fixando-se nos 294 mil euros.
Segundo o mesmo relatório, os custos totais para repor a normalidade do sistema após um ataque de ransomware atingiram o valor mais baixo registados nos últimos 3 anos.
Apesar dos progressos, a “escassez crónica” de profissionais de cibersegurança continua a ser o “calcanhar de Aquiles” do setor. O estudo indica que a falta de equipas internas ou de capacidade técnica (42%) é o fator que mais contribui para que estas organizações se tornem vítimas de ataques de ransomware e não só.

“O setor dos cuidados de saúde continua a enfrentar uma atividade de ransomware constante e persistente. No último ano, a Sophos X-Ops identificou 88 grupos diferentes a visar organizações de saúde, mostrando que mesmo níveis moderados de atividade de ameaças podem ter consequências graves. No entanto, também é encorajador ver sinais de maior resiliência – quase 60% dos prestadores de cuidados de saúde relataram ter recuperado em até uma semana, contra apenas 21% no ano passado, o que reflete um progresso real na preparação e no planeamento da recuperação”
Alexandra Rose, Director, Sophos Counter Threat Unit (CTU) da Sophos
Cerca de 37% dos profissionais do setor reportaram um aumento de ansiedade ou stress devido à ameaça constante, e quase um quarto das equipas registou ausências motivadas por esta pressão psicológica.
A equipa da Sophos X-Ops identificou 88 grupos de ameaças distintos a visar a saúde no último ano. Entre os mais ativos destacam-se os grupos GOLD FEATHER (Qilin), GOLD IONIC (INC Ransom) e GOLD HUBBARD (RansomHub).
O método de entrada mais comum continua a ser a exploração de vulnerabilidades, seguido de perto pelo phishing e pela engenharia social.
“Num setor onde o tempo de inatividade afeta diretamente os cuidados dos pacientes, uma recuperação mais rápida é fundamental – mas a prevenção continua a ser o objetivo final”
Alexandra Rose, Director, Sophos Counter Threat Unit (CTU) da Sophos



