A organização da Web Summit anunciou que a edição do próximo mês vai reunir, na capital portuguesa, a maior e mais influente comitiva de líderes tecnológicos chineses alguma vez presente num evento ocidental.
Esta presença massiva na Web Summit 2026 surge num momento em que se avolumam as evidências do crescente domínio chinês em múltiplos setores, incluindo a inteligência artificial (IA), a robótica, a computação quântica e o setor automóvel.
Web Summit 2026 vai decorrer, uma vez mais, em Lisboa e com mais pessoas presentes que nos anos anteriores
A Web Summit 2026, que deverá atrair cerca de 70 mil participantes a Lisboa, vai ser o palco para fundadores, executivos e até robôs humanoides de algumas das mais importantes empresas tecnológicas da China.
Entre os nomes confirmados encontram-se a Tencent, Pony.ai, Manus AI, Xiaomi, XPENG, Hisense Group, AGIBOT e Galbot. A juntar-se ao setor privado, a delegação vai contar ainda com representantes governamentais, nomeadamente do Ministério do Comércio da China, responsável pela política de investimento e expansão global destas empresas, e da Administração do Ciberespaço da China, a entidade que regula a internet e a IA generativa no país.

Paddy Cosgrave, fundador e CEO da Web Summit, destacou que a adoção das tecnologias chinesas de IA e robótica não dá quaisquer sinais de abrandamento, sublinhando que poucos destes líderes tiveram a oportunidade de discursar no Ocidente até agora.
O responsável já havia previsto esta ascensão tecnológica em 2018, altura em que afirmou à China Daily ser este o “século da China”.
Os indicadores recentes sustentam esta clara viragem no panorama tecnológico global. A plataforma OpenRouter revelou que os modelos de IA chineses já tinham ultrapassado os norte-americanos no mês de junho, chegando a representar entre 57% a 67% dos tokens utilizados na semana de 14 de setembro de 2026, um salto bastante significativo face aos 6% a 13% registados em fevereiro.
Paralelamente, uma análise da Andreessen Horowitz concluiu que 80% dos programadores focados em ferramentas de código aberto já utilizam tecnologia oriunda da China, levando o CEO da Hugging Face, Clément Delangue, a afirmar que o ritmo de progresso asiático é muito mais rápido do que nos Estados Unidos.

Este domínio estende-se muito para além do software de inteligência artificial. Segundo a IDC, no primeiro semestre de 2026, a China produziu quase quatro em cada cinco robôs humanoides expedidos a nível mundial. Adicionalmente, o país consolida-se como o maior produtor de tecnologia limpa, fabricando 85% dos painéis solares do globo, enquanto os seus veículos elétricos já conquistaram 14% da quota de mercado europeia.
Esta supremacia tem gerado fortes debates nas esferas de poder, tendo a IA sido um dos temas centrais durante a recente visita do Presidente Xi Jinping ao Presidente norte-americano, Donald Trump, em Washington.
Apesar das preocupações ocidentais com a soberania tecnológica, vozes como a de David Sacks, cofundador da Craft Ventures, têm vindo a defender a necessidade de os programadores americanos poderem continuar a utilizar modelos de IA de código aberto desenvolvidos por empresas chinesas.
Para além da vasta comitiva asiática, os 17 palcos da Web Summit vão receber este ano mais de 700 fundadores e executivos de todo o mundo. Entre os principais oradores confirmados constam nomes como Danielle Perszyk (diretora na Amazon AGI Lab), Michele Catasta (presidente e responsável de IA na Replit), Tao Zhang (cofundador da Manus) e Henna Virkkunen (vice-presidente executiva da Comissão Europeia para a soberania tecnológica, segurança e democracia).



