A BYD é conhecida em Portugal pelo grande oferta de carros elétricos que trouxe para o nosso país.
No entanto, nem só de elétricos é composta a gama da marca chinesa. Recentemente, começou a introduzir os veículos híbridos DM-i que pretendem agradar a quem quer tirar todo o proveito de um carro elétrico, sem perder a segurança do motor a gasolina.
Fique a conhecer a nossa experiência com o BYD ATTO 2 DM-i e a rentabilidade que conseguimos tirar deste automóvel híbrido.

Conduzimos o BYD ATTO 2 DM-i, um híbrido que promete 90 km de autonomia elétrica
O mercado dos SUV compactos híbridos plug-in tem crescido mas com uma lacuna evidente.
Poucos modelos combinam autonomia elétrica relevante com um preço abaixo dos 35 mil euros, espaço onde o BYD Atto 2 DM-i se posiciona precisamente.
O BYD Atto 2 DM-i é um SUV compacto híbrido plug-in com sistema que combina um motor a gasolina 1.5 de 98cv com um motor elétrico de 197cv para uma potência combinada de 212cv.
Conta com uma bateria LFP de 18kW/h com autonomia elétrica de 90km em ciclo WLTP e autonomia combinada de cerca de 1000km. Já o motor a gasolina consome 1,8 litros por 100km em ciclo combinado e emite 41g/km de CO2

Mede 4330mm de comprimento com distância entre eixos de 2620mm, tem uma bagageira de 425 a 1335 litros e acelera dos 0 aos 100km/h em 7,5 segundos.
Inclui de série painel digital de 8,8 polegadas, ecrã central de 12,8 polegadas, assistente de voz com IA generativa, carregador wireless de 50W, bancos aquecidos em pele vegan, volante aquecido e visão 360 graus.
Tem garantia de 6 anos ou 150 mil quilómetros e está disponível em Portugal por 33.990€.
Design exterior
O BYD ATTO 2 DM-i é um SUV compacto que aposta num design mais sóbrio e conservador de forma a chegar a todo o tipo de condutores.
É um carro grande para o segmento, com 4.33 metros, e tem uma posição de condução alta típica de um SUV.

A frente aposta numa grelha preta que une os dois faróis com o logo da BYD no centro. Encontramos também duas reentrâncias na lateral, numa posição inferior.
No centro do para-choques temos uma câmara e, mais abaixo, o radar para deteção de obstáculos próximos.
Na lateral, do lado esquerdo, temos o depósito de combustível na parte de trás, enquanto do lado direito encontramos na frente o conector para o carregador.

Atrás, temos luzes traseiras com um visual entrelaçado que se unem na parte central. O para-choques é subido, com construção em plástico. Na parte superior temos um pequeno aleron com uma reentrância.

Interior e qualidade de construção
No interior, mantém-se o aspeto sóbrio e sem grandes riscos. Temos um volante de três braços de aspeto tradicional com controlos para as chamadas, cruise control e interação com o ecrã do condutor.

Do lado direito do volante temos um manípulo dedicado a mudar a orientação da marcha e, no lado esquerdo, a manete que junta as luzes, piscas e limpa-vidros.

Em termos de ecrã temos um painel digital para o condutor de 8,8 polegadas, com uma moldura ainda grande, e um ecrã central de 12,8 polegadas.

No pilar, temos um sensor infravermelho para detetar sinais de cansaço do condutor.

Entre os dois bancos temos uma consola bastante espaçosa e com bastante espaço de arrumação, algo atípico nesta gama.

Abaixo do ecrã temos uma área para colocar dois smartphones pousados, algo que dá muito jeito para colocar o telemóvel do condutor e do passageiro, com integração num dos espaços de carregamento sem fios a 50W.

Entre o suporte de copos e esta área para os smartphones temos uma fila de botões físicos que permitem controlar o modo de condução, ligar os 4 piscas, ativar/desativar o controlo de inclinação, start and stop, desembaciar, passar de elétrico para híbrido e controlo de volume.
Atrás, o carro é espaçoso tanto para 5 pessoas se sentarem com conforto, como no espaçamento entre a cadeira de bebé e o banco da frente.
Nos bancos de trás, temos uma saída de ar e duas portas USB-C.

A bagageira é também espaçosa para o segmento, tendo espaço para arrumar facilmente as compras do mês, o carrinho do bebé e ainda malas para 5 pessoas.
Em termos de materiais, o BYD ATTO 2 apresenta uma boa qualidade no interior, com utilização de plásticos rígidos com cobertura em vários sítios de pele sintética.

Nesta versão temos ainda o teto panorâmico que não pode ser aberto, mas que tem uma cobertura mecânica que é ativada pelo painel de luzes por cima do condutor.

Infotainment
O sistema de infoentretenimento do BYD ATTO 2 é bastante simples e minimalista, com utilização de logos grandes.
Em baixo temos sempre presente uma barra com atalhos rápidos para a climatização, luzes interiores e porta-luvas enquanto na parte superior temos atalhos para o assistente, para a música que se está a reproduzir a para atalhos rápidos.

Este carro utiliza o Android Automotive como sistema, o que quer dizer que temos acesso à Play Store para instalar as aplicações compatíveis que quisermos.
Temos, por exemplo, o Waze, localizador de pontos de carregamento, Google Chrome para ir ao Techbit ou serviços de streaming para ver filmes ou séries em momentos de espera ou carregamento.

De origem vem uma app de Karaoke onde podemos procurar entre a grande biblioteca de músicas e ter um momento de música no carro, com a letra a surgir como se um karaoke de festa se tratasse. Caso queira usar funções mais avançadas para conjugar voz e letra deve usar um microfone compatível.
É importante lembrar que, nos BYD, o carro vem com 1 GB de tráfego de dados mensal para multimédia e apps. Caso o esgote, terá de conectar o carro por Wi-Fi ao hotspot do teu smartphone. O plafond para atualizações do carro é à parte deste valor.

Isso quer dizer que, caso utilizes o spotify, netflix ou outro serviço que consuma internet, é importante que ligues primeiro a uma rede Wi-Fi para não estoirar os limites de dados.
A qualquer momento é também possível ligar ao Android Auto ou Apple CarPlay para tirar partido da internet e aplicações do smartphone.

Por último, o BYD ATTO 2 DM-i já integra inteligência artificial com o assistente Hi BYD ao qual podemos fazer questões ou pedir para executar certas tarefas durante a condução.
Passando para o ecrã do condutor, este acaba por ser um pouco mais confuso. Embora seja limpo e com muito espaço em branco para respirar, tem excesso de ícones na parte superior.

Podemos aceder a várias vistas, desde a deteção dos carros em redor ao modo mapa com o Google Maps, sendo ainda possível mudar a informação dentro dos círculos.

Em baixo, temos informação da autonomia a gasolina, autonomia elétrica, odómetro parcial e consumo instantâneo com barra que indica se o carro está em consumo ou regeneração.
Sistema híbrido plug-in DM-i
O sistema híbrido plug-in DM-i da BYD funciona um pouco diferente do de outras marcas.
Estou habituado a que o um híbrido plug-in permita sempre o consumo da bateria até esta desligar por completo. No entanto, tal não é possível no BYD ATTO 2.

Inicialmente estranhamos um valor de autonomia de apenas 90 km para uma bateria de 18 kWh e do carro passar para híbrido quando a bateria alcança os 25%.
Este deverá ter sido um valor de segurança que a marca implementou para nunca deixar a bateria ir a zero, embora isso também significa que ficamos sempre com 4.5 kWh por gastar que nunca poderão ser esgotados.

Tirando isso, o motor a gasolina tem força e uma boa aceleração, enquanto o motor 1.5 com 98 cavalos já permite uma aceleração simpática, sem entrar em grandes aventuras.
O sistema faz também uma contabilização de consumo caricata já que junta o consumo em kWh/100km com o consumo em L/100 km e transforma tudo num valor de referência conjunto em L/100km.
Sistemas de segurança e assistência à condução
Em termos de segurança, o BYD ATTO 2 DM-i está sempre repleto de opções e sensores a detetar tudo o que fazemos.
Começo com os sensores de estacionamento 360º que são complementados com um sistema de câmaras também a 360º que permite ver tudo em redor do carro em manobras e até mesmo na estrada. Por hábito esta é uma funcionalidade que se desliga automaticamente quando não se alcança uma velocidade, mas neste carro podemos ir sempre a ver o que rodeia durante uma condução, por exemplo, em autoestrada.

Os sensores de estacionamento contam também com medição de distância em tempo real para que o condutor saiba qual a distância real ao carro de trás.

Contamos também com deteção dos sinais de trânsito e de transposição dos limites da via com correção para assegurar que o carro se mantém sempre no percurso.
Encontramos também uma câmara sempre apontada para o condutor para identificar sinais de distração ou sono. No caso da distração avisa só para assumir o controlo, no caso do cansaço recomenda uma paragem.

Este aviso de atenção chega a ser particularmente irritante porque basta mexer uns segundos no ecrã principal para já estar a apitar.
Encontramos neste carro também o cruise control adaptativo, máximos automáticos, travagem autónoma e aviso sobre o ângulo morto.
Desempenho e condução
Em termos de condução, o BYD ATTO 2 DM-i tem uma boa resposta, fruto dos 212 cv combinados que podemos sempre usufruir já que a bateria é sempre conservada a 25%.
Embora a aceleração dos 0-100 km/h seja de 7.5 segundos, já permite uma boa aceleração para usar no dia a dia.
Se em aceleração é satisfatório para esta gama, a aerodinâmica é tradicional de um SUV e notamos que não acompanha tão bem a curva como um carro mais baixo, embora seja algo expectável para este tipo de carro.
A condução elétrica é, como se espera, silenciosa, enquanto o motor térmico não se sente bem devido a um bom isolamento.

Em termos de insonorização, o BYD ATTO 2 DM-i consegue isolar bem os barulhos exteriores e do próprio motor, tornando a viagem calma em termos de ruídos.
No entanto, os bancos incluídos neste modelo não são os mais confortáveis para longas viagens.
Autonomia e consumos
Passando para os consumos, a BYD promete cerca de 90 quilómetros por carga limitada a 25%.
Na nossa experiência, ao usar o motor térmico conseguimos registar desde valores a rondar os 1.9 L/100km quando conjugado com a bateria até momentos onde este valor ascendia aos 7.9L quando era usado apenas o motor a gasolina.

Na condução elétrica, registámos valores a rondar os 18.9 kWh/100km, um consumo que posiciona a autonomia total a cerca de 100 km caso a usasse toda, passando para cerca de 78 quilómetros de autonomia devido ao limite de 25%. Houve alturas em que o valor ascendeu aos 21kWh/100km, atirando a autonomia para um valor ainda mais baixo.

Com uma condução mais cuidada com acelerações progressivas conseguimos alcançar os 90 km prometidos de autonomia. No entanto, é pena que os 25% fiquem sempre de reserva já que este é ainda um valor alto de energia que poderia servir para mais alguns quilómetros realizados a um preço mais baixo.
Em termos de carregamento, este pode ser carregado em casa, numa ficha tradicional, sendo necessário pouco mais de 8 horas. Este valor pode ser reduzido caso se tenha uma instalação que consiga usufruir dos 6,6 kW potenciais, baixando o carregamento para cerca de 3 horas. Infelizmente não conta com carregamento rápido.
O BYD ATTO 2 DM-i tem ainda a possibilidade de usar a tecnologia Vehicle-To-Load (V2L) para que possa alimentar equipamentos de casa ou em movimento. Este acessório da tomada do carro para tomada convencional tem de ser comprado em separado.

Quanto ao depósito a gasolina, leva 45 litros de gasolina. Em conjunto com o motor elétrico, o sistema híbrido poderá superar os 1000 quilómetros de autonomia se praticada uma condução cuidada e sem grandes excessos.

Para quem se destina o BYD Atto 2 DM-i
O BYD Atto 2 DM-i destina-se a quem quer um SUV compacto capaz de fazer os percursos diários em modo elétrico sem a ansiedade de autonomia que os carros 100% elétricos ainda provocam em muitos condutores. É especialmente adequado para famílias que precisam de espaço, querem baixar os custos de combustível nas deslocações diárias e não querem depender exclusivamente de pontos de carregamento.
É também uma boa opção para quem faz viagens longas com regularidade, dado que a autonomia combinada de cerca de 1000km elimina a necessidade de planear paragens de carregamento em autoestrada como num elétrico puro.

A 33.990€ é uma proposta competitiva face às alternativas do segmento, especialmente tendo em conta o equipamento de série generoso e a garantia de 6 anos. No entanto, quem beneficia de isenções fiscais para veículos 100% elétricos deve comparar cuidadosamente com a versão elétrica do BYD Atto 2, que pode ser mais vantajosa em contexto empresarial.
Não é a melhor escolha para quem gosta de condução dinâmica ou valoriza muito o apelo visual do carro, dado o design deliberadamente conservador. O limite de 25% da bateria que impede usar toda a capacidade elétrica é também um ponto a considerar para quem quer maximizar a condução em modo elétrico.

Opinião do BYD Atto 2 DM-i
O BYD Atto 2 DM-i é um carro que impressiona pela relação entre o que oferece e o que custa. O espaço interior é genuinamente surpreendente para as dimensões exteriores, a qualidade dos materiais está acima da média do segmento e o equipamento de série é difícil de igualar por 33.990€.

O sistema híbrido DM-i funciona bem no dia a dia mas tem algumas particularidades que surpreendem quem vem de outros PHEV. O limite de 25% da bateria significa que nunca se usa toda a capacidade elétrica disponível, o que na prática limita a autonomia real a cerca de 78km em vez dos 90km anunciados. É uma decisão de engenharia que protege a bateria mas que pode frustrar quem quer espremer cada quilómetro elétrico.

O infotainment com Android Automotive é um ponto forte real que coloca o Atto 2 DM-i à frente de muitos concorrentes, com acesso à Play Store e ao Google Maps nativamente. O limite de 1GB de dados mensais obriga a alguma gestão mas é facilmente contornável com o hotspot do smartphone.
O sistema de alertas de atenção e cansaço é eficaz mas demasiado sensível, tornando-se irritante em uso normal. O design conservador cumpre o objetivo de agradar a um público amplo mas não conquista à primeira vista.
No geral é um carro maduro, bem equipado e com uma proposta técnica que faz sentido no mundo real para a maioria dos condutores portugueses.
Agradecemos à BYD a cedência do BYD ATTO 2 DM-i para análise
FAQ do BYD ATTO 2 DM-i
O que é o BYD Atto 2 DM-i?
O BYD ATTO 2 é um SUV compacto híbrido plug-in com 212cv combinados, bateria LFP de 18kWh, autonomia elétrica de 90km em ciclo WLTP e autonomia combinada de cerca de 1000km. Disponível em Portugal por 33.990€ com garantia de 6 anos ou 150 mil quilómetros.
Qual é a autonomia elétrica real do BYD Atto 2 DM-i?
Na prática a autonomia elétrica fica em torno dos 78km devido ao limite de 25% da bateria que o sistema mantém sempre em reserva. Em condução mais exigente registámos consumos de 21kWh/100km que reduzem ainda mais este valor.
O BYD Atto 2 DM-i tem Android Auto e Apple CarPlay?
Sim. Além do Android Automotive nativo com Play Store integrada, suporta Android Auto e Apple CarPlay para quem prefere usar as aplicações do smartphone.
Quantos dados móveis tem o BYD Atto 2 DM-i?
O carro inclui 1GB de dados mensais para multimédia e apps. As atualizações do veículo têm um plafond separado. Quando os dados se esgotam é necessário ligar o carro ao hotspot do smartphone.
O BYD Atto 2 DM-i tem carregamento rápido?
Não. O BYD Atto 2 DM-i suporta apenas carregamento AC, sem carregamento rápido DC. Numa tomada doméstica convencional o carregamento completo demora pouco mais de 8 horas. Com uma instalação que suporte os 6,6kW máximos o tempo desce para cerca de 3 horas.
Qual é a garantia do BYD Atto 2 DM-i?
A BYD oferece 6 anos ou 150 mil quilómetros de garantia geral, válida em todos os países da União Europeia desde que o programa de manutenção da marca esteja a ser cumprido.



