Estas são as 5 tendências tecnológicas que vão afetar o setor da segurança em 2024

Mesmo para quem trabalha no setor da tecnologia há décadas, o ritmo de mudança dos últimos 12 meses tem sido extraordinário.

Mais uma vez, não há dúvidas de que as inovações tecnológicas estão a trazer enormes oportunidades, mas também desafios mais complexos do que alguma vez enfrentámos, e não mostram sinais de abrandar.

Acompanhar o ritmo das mudanças e as suas implicações – para fornecedores, clientes e reguladores – exige concentração, energia e diligência.

Foi por esta razão que a Axis Communications compilou uma lista com as principais tendências tecnológicas que vão afetar o setor da segurança em 2024.

Aqui estão elas:

1. O potencial da IA Generativa no setor da segurança

Nos últimos meses, muito se tem dito sobre o potencial da Inteligência Artificial (IA) e do deep learning no setor da segurança, com especial destaque para a análise avançada nas extremidades da rede, ou seja, nas próprias câmaras. Esta proliferação está a acelerar: praticamente todas as novas câmaras de rede que são lançadas apresentam este tipo de capacidades, que melhoram consideravelmente a precisão da análise. São, portanto, a base para a criação de soluções Cloud escaláveis.

Todas as empresas estão a analisar a potencial utilização da IA Generativa, e o setor da segurança não é diferente. Em 2024, veremos surgir aplicações de segurança baseadas na utilização de LLM e IA generativa. Estas vão, provavelmente, incluir assistentes para operadores, ajudando a interpretar com mais precisão e eficiência o que está a acontecer numa cena; e para apoio interativo ao cliente, fornecendo respostas mais úteis e acionáveis às suas perguntas. Para além disso, a IA generativa já provou o seu valor no desenvolvimento de software, um benefício que vamos ver em todo o setor da segurança.

Naturalmente, será necessário estar alerta para os riscos e potenciais armadilhas da IA Generativa. Vão surgir debates sobre que modelos utilizar e como, e particularmente sobre a utilização de modelos de código aberto vs. modelos proprietários – mas o maior risco será ignorar esta tecnologia.

2. Eficiências na gestão de soluções que impulsionam a arquitetura híbrida

As arquiteturas de soluções híbridas – que tiram partido das tecnologias no local, na Cloud e no edge – estão agora estabelecidas como o novo padrão em muitas soluções de segurança. As funcionalidades são implementadas onde são mais eficientes, utilizando o melhor de cada instância de um sistema e acrescentando mais flexibilidade. Em última análise, as arquiteturas de sistemas devem estar ao serviço das necessidades do cliente e não da estrutura preferida do fornecedor.

Em grande medida, trata-se de uma questão de acessibilidade. Quanto mais uma solução existir em ambientes facilmente acessíveis tanto a fornecedores como a d clientes, maior será a capacidade dos primeiros para gerir elementos do sistema, assumindo uma maior responsabilidade e reduzindo os encargos para os clientes.

As arquiteturas híbridas também suportam casos de utilização futuros para apoio e automatização da IA na gestão e operação das soluções; ou seja, o aumento da acessibilidade do sistema é valioso tanto para o apoio aos operadores humanos como à IA, tirando partido dos pontos fortes de cada um.

3. Segurança sempre, mas proteção também

A segurança e a proteção são frequentemente endereçadas como um único tema, mas, atualmente, cada vez mais são reconhecidos em casos de utilização distintos: a segurança está relacionada com a prevenção de atos intencionais – arrombamentos, vandalismo, agressão a pessoas, etc. – e a proteção está relacionada com os perigos e incidentes não intencionais que podem causar danos às pessoas, aos bens e ao ambiente.

Por diversas razões, a utilização da videovigilância e da análise na proteção está a crescer rapidamente, e vai continuar a fazê-lo. Uma das razões, infelizmente, são as alterações climáticas: as condições climatéricas extremas causam inundações, incêndios florestais, deslizamentos de terras, avalanches e muito mais, pelo que a videovigilância, os sensores ambientais e a análise serão cada vez mais utilizados pelas autoridades para alertar precocemente para potenciais catástrofes e apoiar uma resposta mais rápida e eficaz.

A gestão de riscos, a conformidade com as diretivas de saúde e segurança e os requisitos regulamentares são outra razão fundamental para o crescimento contínuo dos casos de utilização na proteção. A videovigilância será amplamente utilizada nas organizações para garantir a adesão às políticas de Higiene & Segurança e as práticas de trabalho seguras, como a utilização do Equipamento de Proteção Individual (EPI) necessário. Quando ocorrerem incidentes, a videovigilância será uma ferramenta cada vez mais útil e importante nas investigações.

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4. A regulamentação e a conformidade impulsionam a tecnologia

O ambiente regulamentar global está a ter um impacto crescente no desenvolvimento, aplicação e utilização da tecnologia. Os fornecedores e os utilizadores finais têm de estar conscientes da necessidade de conformidade com as normas, e devem procurar trabalhar em estreita parceria para o garantir.

IA, cibersegurança, sustentabilidade, governança empresarial – todas estas áreas estão a ser alvo de um maior escrutínio regulamentar, pelo que os fornecedores precisam de desenvolver as suas próprias tecnologias e operar os seus negócios de forma a apoiar os requisitos de conformidade dos seus clientes.

Contudo, o panorama regulamentar também abrange a geopolítica e as relações comerciais entre Estados-nação, conduzindo a regulamentações que exigem transparência ao nível dos componentes, se os fornecedores quiserem manter a licença para operar nos principais mercados internacionais.

Esta é uma área em constante evolução e mudança, que exige diligência, desenvolvimento e transparência constantes em toda a cadeia de valor. Para os utilizadores de tecnologia de segurança, é uma questão de confiança – têm de ter a certeza de que todos os elos da sua cadeia de abastecimento estão a funcionar no sentido de apoiarem a sua própria conformidade regulamentar.

5. Adotar a perspetiva do “sistema total”

O impacto de cada aspeto de um sistema de segurança vai estar sujeito a um maior escrutínio, com os fornecedores e clientes a necessitarem de monitorizar, medir e, cada vez mais, apresentar relatórios sobre muitos fatores. Neste sentido, será essencial adotar uma perspetiva de sistema total.

O consumo de energia é um bom exemplo: uma câmara de video, em si, consome uma quantidade relativamente pequena de energia; no entanto, se considerarmos também os servidores, os comutadores, os hubs e os routers através dos quais os dados são transferidos, localizados em grandes Data Centers que necessitam de refrigeração, a situação muda de figura.

Esta perspetiva de sistema total é útil e deve ser bem acolhida pelo setor. Conduzirá a inovações em tecnologias e câmaras que trazem benefícios a todo o sistema, e não de forma isolada. As câmaras que reduzem a taxa de bits, o armazenamento e a carga do servidor com a intenção de reduzir os requisitos de arrefecimento do servidor são um bom exemplo. O transporte mais eficiente dos produtos, as embalagens sustentáveis e a utilização de componentes padronizados também desempenham um papel importante; e a visibilidade e um maior controlo em toda a cadeia de abastecimento são essenciais.

O custo total de propriedade (TCO) é uma medida importante, mas os fornecedores de segurança vão ter, cada vez mais, de considerar o (e ser transparentes quanto ao) impacto total da propriedade, mesmo os aspetos não financeiros, como os ambientais e sociais. Deixará de ser possível que os fornecedores operem isoladamente nas suas próprias cadeias de valor e nas dos seus clientes.

As tendências de segurança que identificámos para 2024 refletem o ambiente em rápida evolução em que vivemos. Não temos dúvidas de que este ano vai trazer novos avanços de tecnologia e, com isso, grandes oportunidades e novos desafios para todos nós. Como sempre, estamos ansiosos por trabalhar com os nossos parceiros e clientes para garantir resultados positivos para todos, dentro e fora do setor.

Bruno Azula, Sales Manager Spain & Portugal da Axis Communications
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