Andar dentro de grandes cidades com um carro é, já por si, uma aventura, mas ir mesmo para o centro da cidade com um carro é uma dor de cabeça de todos os tamanhos.
Os lugares são apertados, as ruas estreitas, as subidas são mais inclinadas do que deviam e, nalguns casos como em Lisboa, a estrada nem sempre é feita de alcatrão, podendo tornar-se uma aventura para os pontos de embraigem.
É dentro de toda esta confusão que o BYD Dolphin Surf foi desenhado e pensado, com a marca a trazer para o mercado um elétrico muito compacto, mas com espaço para tudo, que consegue enfrentar todos os desafios mencionados e mais alguns.
Com um design muito elegante, uma construção sólida e muita tecnologia à mistura, os dias que passámos com o BYD Dolphin Surf no centro da cidade de Lisboa, fizeram-nos esquecer um pouco o quão caótica a cidade pode ser, especialmente em plena hora de ponta.
BYD Dolphin Surf Comfort
O BYD Dolphin Surf é vendido em três versões: Active, Boost e Comfort, sendo que a versão em análise foi a última das três e, também, a mais completa de todas.
Mesmo sendo a mais completa, a versão Comfort ainda deixa algumas coisas de fora, que assumimos que seja o “preço a pagar” para conseguirmos ter todas as outras comodidades.


Apesar do modelo Dolphin já ser desenhado para a cidade, o BYD Dolphin Surf é ainda mais focado neste ponto em especifico, sendo a visão ideal da empresa para percorrer as ruas dos centros mais apertados de qualquer cidade.
Com um design elegante e pensado de igual forma no mar e nos golfinhos, existem detalhes que fazem o Surf, a nosso ver, mais bem desenhado e até mais bem construído que o primeiro “golfinho” da empresa.
Em termos de características, encontramos os faróis automáticos LED nesta versão mais completa, luzes de cortesia nos espelhos, jantes de liga leve de 16″, vidros escurecidos, sensores de chuva e de controlo de máximos, regulação elétrica do banco do condutor em 6 direções que pode ainda ser aquecido assim como o do passageiro, entre muitas outras pequenas comodidades normais neste tipo de veículos.




O Ar Condicionado do BYD Dolphin Surf está disponível apenas de forma manual, não permitindo configurar temperatura nem nada automático como acontece noutros modelos. Esta é uma cedência feita para um carro tão pequeno e capaz, mas que não deixa de cumpriir a função de arrefecer o ambientes nos dias mais quentes.
Como forma de interagir e receber informação, temos um painel central de 10,1 polegadas que pode rodar para ficar na horizontal ou vertical e ainda um painel de instrumentos digital de 7 polegadas com a informação mais especifica sobre o carro, a condução e os consumos.
Tratando-se de um carro 100% elétrico, o BYD Dolphin Surf conta com uma porta de carregamento CCS2. Em termos de bateria contamos com uma BYD Blade com uma capacidade de 43,2 que consegue oferecer até 460 km de autonomia (ciclo urbano) ou até 310 km (ciclo combinado).




Em termos de carregamento, o BYD Dolphin Surf pode ir dos 0% aos 100% em AC em cerca de 5h. No carro do carregamento DC, pode atingir uma potência máxima de 85kW e vai dos 10% aos 80% em cerca de 30 minutos, um valor bastante satisfatório para quando estamos com pressa e precisamos de seguir viagem.
O motor tem uma potência máxima de 115 kW que equivale a 156 cv e consegue ir dos 0 aos 100 em cerca de 9.1 segundos. O veículo oferce ainda três modos de condução: Eco, Normal e Sport.
Entre os diversos extras que podemos encontrar no BYD Dolphin Surf temos, obviamente, diversas ajudas à condução que vão desde sensores de estacionamento, câmaras de visão panorâmica 360º, sistemas de travagem inteligente, monitorização do condutor, reconhecimentos de sinais de trânsito, assistência na faixa de rodagem, entre muitos outros auxílios.




O BYD Dolphin Surf pode ser adquirido atrav és da Caetano Retail com um PVPR incial de 20.885€ para a versão base e 27.990€ para a versão Comfort que tivémos em testes.
Detalhes e construção muito mais bem trabalhados
Uma primeira impressão assim que entramos no BYD Dolphin Surf, comparando com o BYD Dolphin, é percétivel que o material de construção e os acabamentos foram mais bem pensados e oferecem um melhor “feeling”.
Não parece um carro tão pré-fabricado como o outro modelo, os materiais parecem vir a durar mais tempo sem problemas e, algo simples como o puxador da porta, ganhou um formato que mantém a alusão ao mar e aos golfinhos, mas que transmite uma sensação mais familiar e robusta.






Os pequenos toques como a saída de ar no tabliê ou as pequenas “escamas” no exterior, dão um toque muito maritimo ao BYD Dolphin Surf e preserva, assim, a identidade única desta gama.
Também o corpo do veículo conta com uma quantas curvas e contra-curvas para criar um aspeto mais elegante sem deixar de fora o mais importante nestes vaículos de cidade: caberem em todos os pequenos cantos.
Espaço interior e bagageira
Em termos de espaço interior, o BYD Dolphin Surf oferece um habitáculo bastante confortável, mas que pode facilmente torna-se apertado para algum condutor com maiores dimensões, tanto em termos de peso como de altura. É um carro compacto que aproveita bem o espaço interior, mas isso traz algumas limitações.
Os bancos são bastante justos, no nosso caso em particular, encaixou tudo que nem uma luva, o corpo estava bem apoiado em toda a condução e não sentiamos restrição alguma. No entanto, um pouco mais de corpo e já ficávamos apertados no encaixe do banco, o que poderá ser algo limitativo para muitos condutores.




Em termos dos bancos traseiros, o espaço não falta. Existe espaço para as pernas sem problema e toda a zona oferce umas boas dimensões para um carro compato.
Onde sentimos que se perde um pouco de capacidade em grande escala é mesmo na bagageira, algo que é bastante estreito e que pode dificuldade levar meia duzia de sacos oumesmo um móve mais pequeno que facilmente cabe num carro “tradicional”.

No entanto, o BYD Dolphin Surf é um carro compato de cidade, pelo que seria de esperar que a mala não fosse a mais espaçosa de todos os tempos, oferecendo “apenas” 308 litros. No entanto, facilmente ganhamos espaço extra ao deitarmos os bancos (algo que foi desenhado mesmo para funcionar desta forma) e que aumenta assim o espaço para um total de 1037 litros.
Dois ecrãs com a informação bem distribuída
O BYD Dolphin Surf conta então com dois ecrãs onde tudo acontece e é controlado. O ecrã central, de 10.1 polegadas é o centro multimédia e é onde podemos configurar todos os detalhes da condução, da assistência ao condutor e da interação e funcionamento do carro.
O ecrã mais pequeno, de 7 polegadas, funciona como painel de instrumentos digital e oferece toda a informação referente a consumos e ao estado do carro, da condução e todos os alertas durante a deslocação de carro.


Começando pelo mais pequeno, a informação é mais que suficiente e podemos ter noção de todo o estado do equipamento, incluíndo a pressão e temperatura de cada pneu, assim como os consumos feitos.
Na condução podemos ver como toda a asistência funciona, com a delimitação das faixas, a distância do carro da frente, os sinais de trânsito lidos e todos os avisos durante a condução. Seja por excesso de velocidade (um aviso sonoro discreto) ou por distração do condutor ou cansaço detetato (aqui com avisos falados mais altos) a informação aparece bastante bem no painel.
O painel central é muito semelhante ao que podemos ver nos outros veículos elétricos e mesmo ao BYD Dolphin. Pode estar na vertical e na horizontal, contando com um tamanho generoso que permite mais de uma app a correr em simultâneo sem retirar espaço uma à outra.


Compatível com Android Auto sem fios, o BYD Dolphin Surf oferece assim duas formas de infoentretenimento, recorrendo ao sistema proprietário do carro ou ao Android Auto para uma experiência mais familiar. Algo que tyemos de apontar sobre este ecrã central é que, em dias de muito sol, de facto fica difícil ver a informação como deve de ser, com o brilho a não ser suficiente para compensar a iluminação exterior.
Mudar para o modo claro e deixar o modo escuro de parte é uma opção que ajuda, mas mesmo assim não oferece a melhor experiência de visualização.
Uma boa assistência à condução, mas com algumas falhas
O BYD Dolphin Surf tem uma assistência à condução muito boa e bastante completa que vai desde o controlo de velocidade, ao aviso de excesso de velocidade, assistência em controlar a velocidade consoante a leitura dos sinais de trânsito, controlo do volante para se manter dentro da faixa de rodagem e uma ótima gestão no que diz respeito a manter a distância de segurança do carro da frente quando no modo de consução (quase) automático.
No entanto, como em tudo, existem algumas falhas, sendo que neste caso umas são muito grandes e outras apenas pequenos aperfeiçoamentos que resolvem o problema.

Um dos problemas sem dúvida alguma mais irritante do BYD Dolphin Surf é a deteção de distração por parte do condutor. Embora possa ser uma função que ativamos ou desativamos, esperamos que a mesma funcione como uma prevenção e não como algo que nos vai distrair mais do que chamar à atenção quando olhamos para o lado por demasiado tempo.
Inúmeras vezes, com o olhar fixo na estrada, mas apenas porque mexemos no cabelo para o tirar da cara, porque estamos a falar com alguém (mas mantendo os olhos fixos na estrada), porque olhamos para o retrovisor ou, simplesmnete de forma aleatória, recebemos diversos alertas do veículo a pedir que nos mantivéssemos focados na condução. Acreditamos que isto é algo simples de resolver, mas enuqanto não é feito é extremamente irritante e distraí mais do que ajuda a concentrar.
Já o problema mais grave que detetámos que, pode não ser bem um problema mas sim uma forma de evitar distrações em excesso, é o facto de, quando ativamos o modo automático em que o volante se ajusta à faixa e o carro controla a distância de segurança e a velocidade, ao passar por uma curva mais acentuada o carro ou não deteta muito bem a curva e acaba por sair um pouco da faixa, ou acaba por fazer uma viragem muito brusca com o volante. Assim sendo, a recomendação é mesmo a de não confiar a 100% no sistema e ter sempre atenção às curvas para forçar o volante a virar no momento e da forma certa.

Quanto ao resto dos apoiso à condução do BYD Dolphin Surf não temos nada a apontar, os avisos são discvretos mas eficazes, os ajustes que são feitos são bastante bem geridos e tudo funciona como deve de ser. A deteção de cansaço no condutor é algo que funciona muito bem, com um primeiro aviso mais tranquilo a sugerir uma pausa e um segundo, caso detete novamente sinais de cansaço num curto espaço de tempo, mais alarmante.
Experiência de condução confortável e económica
O conforto dentro do BYD Dolphin Surf é algo garantido, com os bancos bem ajustados e com um material a imitar a pele muito bem conseguido e com uma boa respiração.
Os bancos de trás seguem a mesma tendência e oferecem um espaço confortável aos passageiros para que ninguém se sinta apertado dentro deste carro de pequenas dimensões.
Independentemente do modo de condução (Eco, Normal ou Sport) o BYD Dolphin Surf responde muito bem ao acelerador e os consumos são muito satisfatórios, não tendo fugido aquilo que é anunciado pela marca, mas sempre com alguma margem para erro devido a subidas mais inclinadas, uso de carregadores ou AC acima do calculado e mais tempo de condução à noite que de dia, tudo coisas que influênciam a autonomia da bateria.

Na questão do carregamento, os números batem certo com o que a marca indica, sendo que com um carregador normal como os que encontramos na maioria dos centros comerciais temos um tempo intermédio de carregamento tendo por base os que são indicados pela marca.
No nosso caso, com um carregador normal, demorou cerca de hora e meia a carregar 50% da bateria, algo que bate certo com os valores.
Impressões finais do BYD Dolphin Surf
O BYD Dolphin Surf é, sem sombra de dúvidas, um carro de cidade. Não houve rua de Lisboa que ele não passasse com facilidade e espaço suficiente.
Com uma autonomia que consideramos ser até bastante generosa mas que desce rápidamente se começamos a aumentar a velocidade de condução, é um veículo elétrico que é pensado para as voltinhas do dia a dia, mas que pode facilmente esticar para uma viagem mais longa (desde que existam uma quanta paragens programadas pelo caminho).

Como o carregamento na potência máxima permite ir até aos 100% em pouco mais de 30 minutos, é algo que vai dar jeito nas viagens mais longas, pois uma pausa para ir ao WC e comer alguma coisa vai permitir voltar a ter energia para mais um bom bocado do caminho.
O conforto está garantido, tanto para o condutor como para os passageiros, com o único ponto “menos positivo” a ser o facto do AC ser manual e não termos a hipótese deste ser automático para podermos escolher a temperatura desejada.

Para os mais distraidos ou menos capazes, o BYD Dolphin Surf oferece um bom conjunto de sensores e de ajudas à condução que impedem acidentes, previnem toques e ajudam a mantermo-nos dentro do que devemos quando a conduzir. No entanto, este sistema tem ainda algumas falhas e as curvas podem ser um problema grave.
Além disso, a distração é algo demasiado sensível para o BYD Dolphin Surf, com muitos avisos emitidos quando o foco estava na estrada e não existia nenhuma distração visível, apenas um desviar de cabelo ou um falar com alguém sem tirar os olhos da estrada.

O BYD Dolphin Surf foi uma agradável surpresa depois de termos testado o modelo normal, uma vez que consideramos que existe uma construção mais robusta neste modelo, além de gostarmos mais dos pequenos detalhes colocados neste modelo para fazer toda a alusão aos golfinhos e ao mar, como a gama é destacada. No entanto, este é um daqueles pontos que varia muito com o gosto de cada consumidor.
O BYD Dolphin Surf pode ser adquirido atrav és da Caetano Retail com um PVPR incial de 20.885€ para a versão base e 27.990€ para a versão Comfort que tivémos em testes.



