Um novo estudo divulgado esta semana pela consultora LLYC revela que a migração é um dos principais motores do crescimento económico em Portugal.
Segundo o relatório, 71,7% das avaliações geradas por modelos de inteligência artificial classificam o impacto económico da mobilidade humana no país como positivo, destacando o papel crucial dos trabalhadores estrangeiros na tecnologia, turismo e agricultura.
Migração causa impacto positivo na economia nacional
O relatório, intitulado “The Next Mindset: Mobilidade Humana”, foi desenvolvido no âmbito da iniciativa Partners for What’s Next e utilizou uma metodologia inovadora baseada em Deep Learning.
Após a análise de 1.440 respostas de quatro modelos de IA sobre 12 países, o estudo conclui que Portugal é um dos países europeus onde a perceção dos benefícios da migração é mais favorável, registando uma intensidade média de 7.0 numa escala de 10.
O setor da Tecnologia e Inovação surge como o grande beneficiário deste fluxo de talento. O estudo indica que cerca de 20% da força de trabalho tecnológica em Portugal é composta por profissionais migrantes.

Estes profissionais provenientes da migração desempenham funções críticas em áreas de ponta como a inteligência artificial, desenvolvimento de software e blockchain. O relatório cita ecossistemas empresariais como a Unbabel, Farfetch ou Talkdesk como exemplos onde a diversidade de talento se traduziu em competitividade global.
Para além da tecnologia, o estudo sublinha a importância estrutural da migração em setores tradicionais como o turismo e hotelaria, vitais para o PIB nacional, onde a mão de obra migrante foi considerada essencial para a recuperação pós-pandemia.
Na agricultura, os trabalhadores estrangeiros são vistos como indispensáveis para assegurar as colheitas de fruta, olival e horticultura. Da mesma forma, na logística e transportes urbanos, projetos de infraestrutura como a expansão do Metro de Lisboa e o setor do delivery dependem em grande medida destes trabalhadores.
Apesar dos dados macroeconómicos favoráveis, a análise da LLYC identifica tensões na capacidade de resposta do Estado, sendo os maiores desafios na educação, saúde e, sobretudo, na administração pública.
São destacadas as dificuldades burocráticas no reconhecimento de qualificações, algo que limita a progressão de carreira dos migrantes, assim como a pressão nos serviços gerada pela transição do extinto SEF para a nova Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).

“Cada fluxo migratório, cada viagem, reconfigura as economias, redesenha geografias e dinamiza a complementaridade do talento, criando um mapa de oportunidades para aqueles que aprendem a ler o mundo em movimento. A verdadeira vantagem competitiva está na capacidade de interpretar estes grandes movimentos e poder decidir de forma informada e antecipada. O movimento transforma a economia, a sociedade, a cultura e o funcionamento dos mercados”
Marlene Gaspar, Diretora-Geral da LLYC em Portugal
A nível global, o estudo reforça que a migração é um fenómeno de crescimento: em Espanha, foi responsável por 80% do crescimento económico nos últimos 15 anos, e nos EUA, mais de 46% das empresas da Fortune 500 foram fundadas por migrantes ou pelos seus descendentes.



