A ascensão dos motores de busca conversacionais está a transformar a visibilidade digital. As pesquisas convencionais já não geram cliques, com um estudo a indicar que quase 6 em cada 10 pesquisas não originam um clique por parte dos utilizadores.
Em Portugal e na União Europeia, a Inteligência Artificial passou a atuar como um “filtro” que decide quais as marcas que entram na consideração dos consumidores.
Inteligência Artificial controla as pesquisas dos utilizadores e a reação que vai criar nos mesmos
O panorama da pesquisa digital está a enfrentar uma transformação em grande escala e que ocorre de forma silenciosa e à vista de todos.
Segundo uma análise recente da multinacional tecnológica Stratesys, a forma como os utilizadores interagem com a internet mudou. Isto porque, na União Europeia, 59,7% das pesquisas realizadas no Google terminam agora sem qualquer clique.
De acordo com a mesma análise realizada, por cada 1.000 pesquisas, apenas 374 geram tráfego para a designada “web aberta”.

A mudança deve-se ao crescimento de ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa, como o ChatGPT, Gemini, Copilot ou Perplexity. Estes sistemas abandonaram o modelo tradicional de pesquisas baseado em apresentar uma lista de links, optando antes por oferecer respostas diretas, sintetizadas e recomendações explícitas.
“Estamos a passar de um modelo baseado em aparecer nos resultados para outro em que a IA atua como conselheiro. Quando um motor de busca conversacional responde, decide que marcas é que entram na conversa e quais ficam de fora”
Tiago Lopes Duarte, Managing Partner da Stratesys Portugal
Este novo “filtro algorítmico” tem um impacto direto nos processos de decisão, tanto no mercado de consumo (B2C) como no empresarial (B2B). Ao reduzir o número de opções avaliadas pelo utilizador, a IA prioriza a informação com base na autoridade percecionada e na coerência da marca.

Os dados setoriais revelam uma tendência clara, onde podemos confirmar que desde a implementação dos AI Overviews, as impressões (visualizações) cresceram 49%, mas a taxa de clique (CTR) caiu cerca de 30%.
No entanto, nalguns setores, a influência da IA é massiva. O tráfego para sites bancários proveniente de fontes de IA generativa registou um crescimento de 1.200% entre julho de 2024 e fevereiro de 2025.
Para sobreviver a este cenário, as marcas estão a evoluir as estratégias de SEO (Search Engine Optimization) para o AEO (Answer Engine Optimization). O objetivo já não é apenas o ranking por palavras-chave, mas sim construir “credibilidade algorítmica” para que a marca seja citada pela IA como uma fonte relevante e fiável.
“A visibilidade conversacional não é uma moda nem uma tendência futura: é uma realidade que já opera no dia-a-dia de consumidores e empresas. As marcas que não trabalharem ativamente a sua presença neste ambiente correm um sério risco de ficar fora do radar no momento-chave das decisões. Nesta nova lógica, existem apenas as marcas que a IA reconhece, compreende e recomenda como referências no seu setor”
Tiago Lopes Duarte, Managing Partner da Stratesys Portugal


