Gboard da Google pode recolher mais dados do que imaginamos

O Gboard, o popular teclado virtual desenvolvido pela Google e amplamente utilizado em dispositivos Android, levantou algumas novas preocupações relacionadas com a privacidade e a recolha de dados dos utilizadores.

Especialistas e utilizadores avançados alertam para o facto de as configurações padrão do Gboard permitirem o envio de uma quantidade substancial de informações sensíveis para os servidores da Google, levantando questões sobre até que ponto o uso diário deste teclado compromete a privacidade.

Google Pixel 10a
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Gboard pode partilhar demasiado sobre o utilizador sem que este saiba

A principal questão reside no acesso contínuo à rede que o Gboard tem ativado por predefinição. Esta ligação é utilizada para enviar dados de utilização à Google, incluindo detalhes sobre quais as aplicações onde o utilizador escreve, o tempo de digitação, a extensão das palavras e os idiomas selecionados.

Embora a Google afirme não fazer o carregamento de uma cópia exata de tudo o que é digitado, investigações recentes demonstraram que é possível reconstruir as palavras originais a partir das atualizações matemáticas geradas durante o processo de aprendizagem do modelo de inteligência artificial da empresa.

Google Pixel 11
©TechBit

Adicionalmente, relatórios apontam que os dados recolhidos podem incluir o “Android ID”, um identificador que pode, potencialmente, ser ligado à identidade do utilizador através das informações associadas à conta Google.

Configurações de privacidade que podem (e devem) ser revistas

De forma a mitigar estes riscos sem ter de abandonar o teclado, que se destaca pela familiaridade e funcionalidades, recomenda-se que os utilizadores revejam as definições de privacidade (acessíveis através das definições da aplicação ou em Definições > Sistema > Teclado > Gboard > Privacidade).

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gboard
©Google

Entre as opções mais críticas que podem ser desativadas encontram-se:

  • Partilhar estatísticas de utilização: Uma opção que envia dados de uso à Google com o intuito de melhorar a aplicação, mas que contribui para a monitorização contínua;
  • Personalizar para si: Permite que o Gboard aprenda os hábitos de escrita e ditado de voz para melhorar as previsões. Embora o processamento seja feito localmente no dispositivo, muitos utilizadores optam por eliminar os dados já aprendidos e desativar a função para evitar a criação de um perfil de escrita;
Google Pixel 9 Pro XL
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  • Melhorar para todos: Ativada por predefinição, esta funcionalidade no Gboard recolhe padrões de escrita e envia insights à Google durante o período em que o telemóvel está a carregar e ligado ao Wi-Fi, combinando-os com dados de outros utilizadores para refinar os modelos do teclado;
  • Doações de áudio: Uma funcionalidade voluntária relacionada com o ditado de voz que, caso seja ativada, envia fragmentos de áudio de até 25 segundos para os servidores da Google, onde podem ser ouvidos e transcritos por revisores humanos.

As recentes descobertas sublinham a importância de uma revisão atenta às políticas de privacidade e permissões das aplicações que gerem as informações mais sensíveis nos smartphones modernos, incentivando os utilizadores a tomarem controlo sobre o que partilham com as grandes empresas tecnológicas.

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