Num movimento de relevo que contrasta com o clima de tensão geopolítica dos últimos anos, a gigante chinesa Huawei e a norte-americana Qualcomm anunciaram um acordo plurianual de licenciamento de patentes.
A parceria estratégica entre a Huawei e a Qualcomm incide sobre áreas críticas e de futuro, nomeadamente o 5G, a Inteligência Artificial (IA), computação e infraestruturas de rede.
Huawei e Qualcomm aliam-se para um futuro tecnológico mais avançado
O pacto, que se destaca por ser o primeiro acordo de licenciamento entre as duas tecnológicas a cobrir especificamente a tecnologia 5G, assenta num modelo de partilha mútua. Ao abrigo deste entendimento, ambas as empresas ganham o direito de utilizar as patentes uma da outra nestes setores cruciais.
No entanto, a colaboração vai mais longe do que um simples licenciamento cruzado: a Qualcomm comprometeu-se a adquirir um portefólio de patentes norte-americanas detidas pela Huawei nas áreas da computação, IA e redes.

A concretização desta compra está, contudo, ainda dependente da aprovação por parte das autoridades reguladoras.
Embora as duas empresas tenham optado por manter os detalhes financeiros e as taxas de royalties em segredo, o impacto na faturação da Huawei promete ser substancial. A marca chinesa estima que este novo acordo faça disparar o valor total dos contratos de licenciamento de patentes para a fasquia dos 6,9 mil milhões de dólares. Uma prova de resiliência de um departamento que tem gerado receitas positivas consecutivamente desde 2021.
Este negócio sublinha uma dinâmica peculiar no mercado tecnológico global: as sanções comerciais aplicadas pelos EUA à Huawei desde 2019, que limitaram drasticamente o acesso da marca a chips avançados e software chave, não bloqueiam automaticamente a celebração de acordos de propriedade intelectual.

Ciente desta exceção, a Huawei tem canalizado um investimento maciço para a Investigação & Desenvolvimento nos últimos anos, garantindo que continua a ser uma marca de destaque nos bastidores da tecnologia mundial.
O clima entre os executivos das duas companhias é de reconhecimento mútuo, refletindo uma relação comercial que, na verdade, já tem mais de duas décadas (o primeiro pagamento de licenciamento da Huawei à Qualcomm remonta a 2001).
Alan Fan, Diretor de Propriedade Intelectual da Huawei, fez questão de salientar que este entendimento “não só demonstra o valor das inovações da Huawei, como também reconhece as contribuições fundamentais da Qualcomm para as tecnologias de comunicação modernas”.
Do lado norte-americano, John Han, Vice-Presidente Executivo da Qualcomm e Diretor Geral de Licenciamento de Tecnologia, garantiu que o acordo “reafirma o reconhecimento da indústria em relação à liderança da Qualcomm na tecnologia 5G e o sucesso do programa de licenciamento”.
Este não é um caso isolado na recente estratégia da Huawei, que tem vindo a rentabilizar ativamente as patentes da marca. Já no passado mês de agosto, a empresa chinesa tinha assinado um acordo semelhante focado em tecnologia Wi-Fi com a HP, pondo fim a uma disputa legal entre as duas entidades.



