Há algum tempo que se sabia que a iRobot estava com dificuldades no mercado, estando a fazer um grande esforço para se reerguer ou encontrar comprador.
Agora, a empresa declarou falência nos Estados Unidos e foi comprada pela empresa chinesa Picea.
iRobot passa a ser controlada pela Picea depois de declarar falência
A iRobot, a empresa norte-americana conhecida mundialmente pelos robots aspiradores Roomba, declarou falência nos Estados Unidos ao abrigo do chamado “Capítulo 11”.
Apesar dos produtos continuarem a funcionar e a receber suporte, o processo marca um ponto de viragem histórico para a marca já que a empresa vai passar integralmente para controlo chinês.
A situação financeira da iRobot já dava sinais de fragilidade desde março, mas foi este fim de semana que a empresa avançou oficialmente com o pedido de proteção ao abrigo do Capítulo 11 da lei norte-americana. Este mecanismo permite às empresas reorganizar dívidas e ativos para continuarem a operar, em vez de encerrarem atividade e liquidarem património.
Mesmo com receitas na ordem dos 682 milhões de dólares em 2024, a empresa viu os seus lucros desaparecerem, pressionada por uma concorrência cada vez mais agressiva e por custos de produção mais elevados.
Um dos principais fatores para a queda da iRobot tem sido o domínio crescente de fabricantes chineses como Roborock, Ecovacs, Dreame ou Xiaomi. Estas marcas conseguiram inovar mais rapidamente, oferecer mais funcionalidades e praticar preços mais competitivos, obrigando a iRobot a baixar preços e a sacrificar margens de lucro.

Apesar de continuar forte em mercados como os Estados Unidos e o Japão, a empresa deixou de conseguir competir em igualdade de condições à escala global.
A situação piorou com as tarifas aplicadas às importações provenientes do Vietname, onde a iRobot fabrica grande parte dos seus robots aspiradores destinados ao mercado norte-americano.
As taxas, que chegam aos 46%, representaram um aumento de custos de cerca de 23 milhões de dólares só em 2025, tornando praticamente impossível planear o futuro com estabilidade.
Em 2022, a Amazon anunciou a intenção de comprar a iRobot por cerca de 1.700 milhões de dólares, valor que mais tarde foi revisto para 1.400 milhões. No entanto, o negócio acabou por cair devido à falta de viabilidade regulatória. Quando essa operação falhou, a iRobot ficou sem saída estratégica e começou a acumular dívida, grande parte dela junto do seu parceiro de fabrico, a empresa chinesa Picea.
O plano de reestruturação prevê que a Picea fique com 100% dos ativos da iRobot. Em troca, irá cancelar cerca de 190 milhões de dólares em dívida, bem como outros 74 milhões relacionados com acordos de fabrico entre as duas empresas. Na prática, a histórica marca norte-americana passa a estar totalmente nas mãos de um fabricante chinês.
Utilizadores não deverão sentir impacto imediato
Segundo a iRobot, este processo não deverá afetar o funcionamento dos produtos existentes, nem o suporte, aplicações, cadeia de abastecimento ou parcerias.
A empresa garante que os atuais utilizadores das Roomba continuarão a receber assistência e que irão continuar a ser desenvolvidos e comercializados novos modelos sob a nova gestão.
O fim de uma era na robótica doméstica
Fundada em 1990 por investigadores do MIT, a iRobot foi pioneira na robótica de consumo e lançou a primeira Roomba em 2002, revolucionando a limpeza doméstica.
Hoje, ironicamente, a marca que ajudou a criar este mercado acaba absorvida pela mesma indústria chinesa que passou a dominá-lo quase por completo.
Em 2021, no auge da pandemia, a iRobot chegou a valer mais de 3.500 milhões de dólares. Quatro anos depois, o seu valor ronda apenas os 140 milhões, uma queda de cerca de 25 vezes, segundo dados citados pela Reuters.



