O mercado de produtos em segunda mão e recondicionados já conquistou 66% dos consumidores em Portugal, mas o preço e a confiança decidem tudo.
De acordo com um novo estudo do Observador Cetelem, a larga maioria dos portugueses apenas equaciona comprar equipamentos recondicionados se estes apresentarem um desconto significativo.
Recondicionados precisam de ter um bom desconto para serem uma opção para os portugueses
Concretamente, o estudo indica que 53% dos inquiridos assumem que a compra só se torna atrativa perante uma redução de preço de, pelo menos, 30% em relação ao produto novo equivalente.
Apesar da exigência nos descontos, o potencial de crescimento do mercado dos recondicionados é expressivo.
O estudo revela que quase 90% dos consumidores (89%) admitem vir a comprar produtos usados no futuro. Além disso, perante o mesmo orçamento, a balança pende para os recondicionados: 33% preferem adquirir um artigo recondicionado de gama superior, contra 25% que optariam por um produto novo de gama inferior.

No que diz respeito ao tipo de bens adquiridos, os equipamentos eletrónicos são os líderes do mercado em segunda mão.
- A tecnologia (como smartphones e computadores) lidera as preferências, representando 45% das compras neste segmento;
- Segue-se o mobiliário, com 28% das aquisições;
- Os equipamentos de entretenimento ocupam o terceiro lugar, com 17%.
Esta é uma tendência que é previsto manter-se para compras futuras: 51% tencionam focar-se na tecnologia, seguidos por entretenimento (28%) e mobiliário (27%).
Os consumidores antecipam que este mercado vai continuar a expandir-se, com 62% a perspetivarem um crescimento nos próximos cinco anos, impulsionado por preços mais acessíveis e mudanças nos hábitos de consumo.

Apesar do entusiasmo da maioria, a confiança continua a ser o principal obstáculo para os 34% de portugueses que ainda não aderiram aos recondicionados.
- A desconfiança na qualidade e durabilidade é o principal motivo de afastamento para 31% destes consumidores.;
- O receio de avarias ou mau funcionamento afasta 29% dos inquiridos;
- A ausência de garantias claras é apontada como um entrave por 23% dos participantes no estudo.
Para contornar esta insegurança, os compradores exigem salvaguardas técnicas e dão primazia a canais profissionais. Cerca de 41% consideram importante ter uma garantia superior a um ano, 40% valorizam a possibilidade de devolução ou troca e 39% exigem que o produto traga um relatório de qualidade.
É também por isto que 60% dos consumidores assumem preferir comprar em lojas especializadas em produtos recondicionados, com apenas 15% a afirmarem sentir-se confortáveis a fazer negócio diretamente com particulares.


