Estudo da Web Summit indica que há maior confiança nas mulheres para liderar, mas os problemas persistem

Um novo inquérito global da Web Summit revela um cenário de contrastes para as mulheres na indústria tecnológica.

Apesar de a confiança para assumir cargos de liderança estar a aumentar e a inteligência artificial (IA) ser vista como uma ferramenta para o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, o estudo da Web Summit confirma que persistem desafios significativos como o sexismo, o pessimismo sobre a igualdade de género e a pressão para escolher entre carreira e família.

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As mulheres são cada vez mais bem vistas como líderes

O “Women in Tech Survey 2025“, que auscultou 671 profissionais em todo o mundo, permitiu concluir que 60% das mulheres acreditam que o equilíbrio de género na tecnologia piorou no último ano. Quase 56% das inquiridas sentem que as recentes mudanças geopolíticas acabam por ter um um impacto negativo na equidade de género, apontando para o recuo nos programas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) e a instabilidade global como principais causas.

A confiança nas instituições também diminuiu. Apenas 39% das inquiridas concordam que a indústria tecnológica está a tomar medidas adequadas para combater a desigualdade de género, uma queda face aos 44% em 2024.

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A perceção sobre a ação dos governos é ainda mais baixa, com apenas 29% a concordar que estão a ser tomadas medidas significativas.

A Inteligência Artificial é uma ajuda ou um problema?

A inteligência artificial tornou-se uma ferramenta quotidiana, com mais de 77% das profissionais inquiridas no estudo da Web Summit a utilizá-la diariamente para poupar tempo e trabalhar de forma mais eficiente.

Cerca de três quartos das inquiridas estão otimistas e acreditam que a IA pode melhorar a equidade de género, ao automatizar tarefas de rotina e ajudar a equilibrar a vida familiar.

No entanto, aproximadamente uma em cada quatro mulheres permanece cautelosa, alertando que a IA, alimentada por dados enviesados e desenvolvida em ambientes predominantemente masculinos, pode acabar por reforçar as desigualdades existentes.

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Os principais obstáculos à equidade de género, segundo avança o estudo da Web Summit, mantêm-se inalterados desde 2023: o preconceito inconsciente de género, a dificuldade em equilibrar a carreira com a família e a falta de mulheres em posições de liderança.

O sexismo no local de trabalho continua a ser uma realidade, comparitlha a Web Summit, com quase metade das inquiridas (49%) relatou ter sofrido sexismo ou preconceito nos últimos 12 meses.

Atitudes como ser interrompida em reuniões ou ter a experiência própria questionada são consideradas tão prejudiciais como a discriminação explícita. Um dado alarmante revela que mais de 8 em cada 10 mulheres sentem que precisam de trabalhar mais para provar o valor devido ao próprio género — o valor mais alto registado nos últimos três anos.

Carreira VS Trabalho

A pressão para escolher entre a vida profissional e a familiar aumentou para as mulheres, revela o estudo da Web Summit. Em 2025, mais de metade das inquiridas (56,5%) sente-se forçada a fazer esta escolha, um aumento de mais de 7 pontos percentuais em relação a 2024.

Uma participante resumiu o sentimento: se “não estiver disposta a ficar no escritório até muito tarde todos os dias porque tem uma família, não terá as mesmas oportunidades de promoção”.

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Apesar do cenário desafiador, há sinais positivos. A confiança das mulheres para procurar e assumir posições de liderança está a crescer significativamente.

Em 2025, mais de 81% afirmaram sentir-se capacitadas para seguir uma carreira de liderança, um forte aumento em comparação com o ano anterior. Ainda assim, a representatividade no topo permanece uma questão: cerca de 58% das inquiridas confirmam a existência de mulheres em cargos mais altos de chefia ou liderança nas empresas.

O estudo da Web Summit conclui com uma mensagem clara de que a próxima década deve focar-se em desmantelar as barreiras estruturais e culturais, uma vez que o progresso não será alcançado apenas com iniciativas isoladas ou gestos simbólicos.

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