Um novo estudo global da Fortinet, líder em cibersegurança, revela um cenário alarmante para as empresas, uma vez que a maior ameaça aos dados sensíveis reside, muitas vezes, dentro das próprias paredes.
Segundo o Insider Risk Report 2025, 77% das empresas registaram perdas de dados devido a incidentes internos nos últimos 18 meses.
Empresas devem ter mais atenção à negligência humana
O relatório, desenvolvido em colaboração com a Cybersecurity Insiders, destaca que o problema é recorrente. Em 21% dos casos analisados, as empresas chegaram a reportar mais de 20 incidentes no mesmo período, sublinhando a dificuldade em conter a exfiltração de informação.
Ao contrário da crença comum de que os riscos internos provêm de funcionários mal-intencionados, os dados mostram uma realidade diferente. Segundo o relatório, 62% dos incidentes resultam de erro humano.

Ações quotidianas, muitas vezes vistas como inofensivas, são os principais gatilhos, tais como:
- Envio de ficheiros sensíveis por e-mail para destinatários errados;
- Armazenamento de dados corporativos em clouds pessoais;
- Utilização de ferramentas SaaS e de IA Generativa (GenAI) não aprovadas pela empresa.
O simples ato de testar uma ferramenta de IA generativa pode resultar na exposição de dados críticos, como alerta o relatório, apontando que os ficheiros de clientes (53%) e a informação pessoal identificável (47%) são os ativos mais comprometidos.

As consequências destes lapsos não são apenas operacionais, são também severamente financeiras. O estudo indica que 41% das empresas estimam perdas entre 1 e 10 milhões de dólares por incidente. Estes custos refletem um efeito dominó que inclui:
- Medidas corretivas urgentes;
- Interrupções na atividade comercial;
- Penalizações regulatórias (como multas de proteção de dados);
- Danos profundos à reputação da marca.
Um dos pontos mais críticos do relatório é a admissão de que as ferramentas tradicionais de Prevenção de Perda de Dados (DLP) já não são suficientes. Cerca de 72% dos decisores de segurança confessam não ter visibilidade total sobre como os utilizadores interagem com os dados.
A ausência de contexto comportamental cria um “falso sentimento de segurança”. As equipas de TI são inundadas por alertas, mas sem analisar o comportamento, torna-se quase impossível distinguir uma tarefa legítima de uma ação de risco iminente.
Para mitigar estes riscos, a Fortinet sugere uma transição para uma segurança centrada no comportamento. Atualmente, 66% dos profissionais já consideram a análise comportamental em tempo real uma prioridade estratégica.
As recomendações incluem o abandono de regras estáticas em favor de políticas adaptativas e o alinhamento rigoroso entre as equipas de segurança, recursos humanos e jurídico. O objetivo é criar uma rede de segurança que acompanhe a produtividade das empresas sem as comprometer, detetando anomalias antes que os dados saiam efetivamente das organizações.



