BYD e Tesla acumulam 32% das reclamações sobre carros elétricos. O problema do pós-venda

O serviço de pós-venda das marcas de carros elétricos, com a maior incidência a ser a BYD e a Tesla, tornou-se o novo calcanhar de Aquiles da mobilidade elétrica.

Mais de 70% das queixas dos consumidores estão agora concentradas nas áreas de reparação, manutenção e atendimento ao cliente, com a BYD e a Tesla a acumularem 32% do total das reclamações apresentadas no Portal da Queixa.

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BYD e Tesla têm o maior número de reclamações, mas veículos elétricos têm originado diversas reclamações de forma geral

A insatisfação dos consumidores portugueses com os veículos elétricos registou um aumento expressivo de 173% nos últimos dois anos. O principal foco dos problemas já não reside na autonomia ou na rede de carregamento, mas sim na experiência que se segue à compra do veículo, sendo a BYD e a Tesla as duas marcas mais visadas.

De acordo com os dados divulgados pelo Portal da Queixa, entre janeiro e julho de 2026 foram contabilizadas 205 reclamações, um salto substancial face às 75 queixas registadas em igual período de 2024. Apenas no último ano, o crescimento fixou-se nos 92%, comparando com as 107 denúncias reportadas em 2025.

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Esta escalada destapa uma nova fragilidade na rápida expansão da mobilidade elétrica: o serviço pós-venda. Atualmente, 72% das queixas concentram-se nesta área. A reparação e a manutenção dominam as dores de cabeça dos condutores, representando 40% das reclamações, enquanto o atendimento e a qualidade do serviço prestado pesam 32%.

A qualidade e segurança do produto (16%), juntamente com os entraves financeiros e pagamentos (6%) e as questões legais e contratuais (6%), fecham a lista dos principais motivos de discórdia.

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No que toca aos alvos das críticas, a BYD Auto assume a dianteira, reunindo 17% do volume total de reclamações, seguida de perto pela norte-americana Tesla, com 15%.

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Na base deste descontentamento estão relatos sucessivos de problemas técnicos persistentes, reparações prolongadas e sem resolução à vista, obstáculos no acionamento das garantias e uma forte frustração com os canais de comunicação e de apoio ao cliente. A grande maioria das queixas (71%) é dirigida diretamente às marcas automóveis, com apenas 18% a serem dirigidas aos concessionários.

Lisboa e Porto lideram queixas feitas maioritariamente por homens

O perfil do reclamante em Portugal é claro: 72,60% das denúncias são apresentadas por homens, destacando-se a faixa etária compreendida entre os 45 e os 54 anos (33,65%). A nível geográfico, mais de metade das ocorrências (55,77%) localiza-se nos grandes centros urbanos de Lisboa e Porto, seguindo-se os distritos de Setúbal (8,65%) e de Braga (7,69%).

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Curiosamente, e apesar do aumento abrupto do volume de reclamações, a média do Índice de Satisfação dos consumidores registou uma subida de 4,82%, passando de uma avaliação de 3,15 (em 2025) para 3,30 (em 2026).

Para Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, a leitura destes indicadores deixa um aviso claro ao setor automóvel: “O crescimento das reclamações mostra que o desafio da mobilidade elétrica já não está apenas no produto, mas também na experiência de pós-venda”. O responsável sublinha ainda que, perante o peso que a reparação e o atendimento ganharam, “a capacidade de resposta das marcas está agora colocada no centro da confiança do consumidor”.

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