A Surfshark partilhou o mais recente estudo da empresa onde revela que as redes sociais estão numa corrida agressiva para conseguirem a localização dos utilizadores com a maior precisão possível, mesmo quando esta definição está desativada.
Segundo o estudo da empresa, entre as diversas redes sociais, a X, Meta e Pinterest são as redes sociais que mais dados de localização precisa recolhem do utilizador.
Porque é que as redes sociais precisam da localização precisa?
Segundo os dados partilhados pela Surfshark, em janeiro de 2025, Portugal tinha 7,49 milhões de identidades de utilizadores de redes sociais, o que representa 71,9% da população total, sendo que só no Facebook existiam 6,2 milhões de utilizadores.
O estudo mais recente da empresa mostra que milhões de pessoas têm as localizações monitorizadas por grandes aplicações de redes, que podem inferir localizações aproximadas mesmo que as definições de localização precisa estejam desativadas.
X, Meta e Pinterest lideram a tabela no que diz respeito à recolha de dados de localização precisa do utilizador. Por localização precisa, entendemos o local exato no mapa, mostrando onde está. Por exemplo, a morada da casa do utilizador. Para determinar a localização do utilizador, podem ser usados vários métodos, tal como GPS, sinais Bluetooth ou endereços IP.

“Porque é que as aplicações de redes sociais necessitam da sua localização precisa? Essa é a primeira coisa em que penso quando vejo que a maioria das aplicações recolhe a localização precisa do utilizadores. Os dados de localização precisa enquadram-se na categoria de dados de utilizador mais sensíveis porque podem ser ligados a comportamentos e rotinas altamente pessoais.
Por exemplo, se os dados mostram que alguém passa noites numa morada, é quase certamente a sua casa. O trajeto diário poderia revelar em que empresa um utilizador trabalha, indicando o salário. A localização também pode expor visitas a médicos, centros religiosos ou eventos políticos: atividades que talvez não queira partilhar com outros. Tudo isto pode levar à construção do seu perfil, previsão de comportamento, ou pode ser usado para manipulação e discriminação direcionadas”
Donatas Budvytis, Diretor de Tecnologia da Surfshark

Ao que tudo indica, a localização precisa revela mais do que apenas as coordenadas dos utilizadores. Esta informação leva também à partilha de quem é cada um dos utilizadores, o que cada um faz e consegue até prever os passos seguintes de cada um.
Uma única aplicação, X, confirma usar informações de localização precisa para fins de rastreamento. Isso significa que os dados dos utilizadores podem ser monitorizados continuamente, combinados com informações recolhidas de outras aplicações ou sites que este esteja a usar, ou mesmo partilhados com corretores de dados que podem vendê-los a outras empresas. Isso cria uma sensação de desconforto de estar sob uma lupa.
Mais de metade das aplicações de redes sociais analisadas recolhe a localização precisa para publicidade de terceiros, o que significa que os utilizadores devem estar preparados para anúncios de empresas com as quais nunca interagiram diretamente. A maioria das Grandes Redes Sociais recolhe a localização precisa para fins de autopromoção.
Entretanto, X, Instagram, Threads, Facebook e Pinterest podem recolher dados de localização precisa para “Outros fins”. Este é um dos pontos que ficou no desconhecido com a investigação da Surfshark, uma vez que os especialista não conseguiram perceber em concreto ao que é que as empresas se referem com este ponto.
Mesmo que os utilizadores optem por desativar a partilha de localização precisa nas definições, algumas empresas de redes sociais como Meta, TikTok ou Pinterest ainda podem inferir a localização aproximada. Isto está descrito nas políticas de privacidade de cada uma das empresas.

“Se estamos preocupados com a nossa privacidade, devemos estar atentos a quais aplicações solicitam acesso a informações de localização precisa. Recomendo permitir que uma aplicação use a localização precisa apenas se for necessário para a funcionalidade da aplicação. Não podemos saber precisamente que outras informações as aplicações de redes sociais estão a recolher que lhes permite indicar a nossa localização. No entanto, se uma aplicação recolhe o endereço IP de um utilizador, o que pode fornecer informações sobre a localização do utilizador, então usar uma ligação VPN pode ajudar. Porque quando usamos uma VPN, o nosso tráfego de internet é encaminhado através de um servidor noutra localização. A aplicação vê então o endereço IP do servidor VPN, não o nosso”
Donatas Budvytis, Diretor de Tecnologia da Surfshark


