TCL: “Estamos focados em entregar ao consumidor algo que seja bom e diferente, não um equipamento de topo”

O mercado dos smartphones está a abarrotar de opções para todo o tipo de utilizadores e, cada vez mais, as marcas tentam inovar para se destacarem dos concorrentes. Com mais de 20 anos de mercado, a TCL mantém-se à deriva neste mercado com uma estratégia mais ponderada e focada.

Em conversa com Stefan Streit, Diretor Geral de Marketing Global TCL, o TechBit tentou perceber um pouco melhor quais são os próximos passos da marca e o que podemos esperar dos equipamentos NXTPAPER da marca.

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NXTPAPER é o resultado de muitos anos no mercado

Antes de mais, temos de perceber o que é esta tecnologia que a TCL apelidou de NXTPAPER. No fundo, é um ecrã que consegue “reduzir até cerca de 61% da luz azul emitida pelos ecrãs dos smartphones e dos tablets”, que conta com um acabamento mate e tem uma sensação ao toque semelhante ao papel.

Os mais de 20 anos da TCL no mercado levaram-nos a chegar ao ponto de poderem pensar muito bem antes de dar um paço em frente. Stefan afirma que “ainda não estamos preparados para nos lançarmos para o mercado de topo, ainda não temos aquela força no nome TCL para o podermos fazer”, explica-nos entre risos.

TCL 40 NXTPAPER

A TCL é uma empresa que passou por muitos anos de evolução. Comprou a Alcatel, que mantém sobre a sua alçada e fabrica os equipamentos da marca, passou também pela Blackberry, onde “os teclados físicos apenas deixaram de fazer sentido” e ainda fabricam os equipamentos da Palm, “para quem procura algo de confiança, mas com um formato bastante pequeno”, explicou-nos Steit.

Com o lançamento da marca TCL no mercado mobile em 2020, em plena pandemia COVID-19, “tivemos uma grande surpresa e os nossos planos acabaram por ser bastante diferentes dos que planeámos inicialmente”, explica-nos o diretor geral. “Mesmo assim, conseguimos sobreviver e manter-nos no mercado”, conclui.

TCL está focada nos consumidores do dia a dia, não nos especialistas

Num mercado em que existe quase uma guerra aberta entre as marcas de topo, a TCL planeia dar cada passo com calma e sem cair no erro de fazer algo que não consegue, posteriormente, sustentar.

Um ponto importante para a marca “é a parte emocional para os consumidores”, conta-nos Stefan. “Eu, por exemplo, entre dar um smartphone normal aos meus filhos, para eles passarem horas a olhar para o ecrã, ou dar um com a tecnologia NXTPAPER, como pai, vou optar pela opção mais segura para eles que, pelos menos, não faz tanto mal”, continua entre risos à conversa com o TechBit.

TCL 40 NXTPAPER

A TCL planeia focar-se naquilo que Stefan apelidou de “featurephones em vez de smartphones”, ou seja, equipamentos que trazem algum valor extra na sua utilização, ou uma característica distinta, em vez de serem “apenas mais um ecrã preto que temos no bolso”.

“Hoje em dia os smartphones são todos iguais. Uns dobram, outros deslizam, mas no fundo são todos um retângulo preto que trazemos conosco para todo o lado. Isto porque há certas limitações ainda difíceis de contornar, então tentamos implementar algo que seja benéfico dentro daquilo que temos à disposição”

TCL 40 NXTPAPER

Para já, a TCL planeia manter-se num mercado que sabe que tem hipóteses de fazer crescer o seu nome como marca, os gama média. “Equipamentos na casa dos 300/400 euros é o nosso foco, não podemos simplesmente agora lançar um equipamento de 1000€”, comenta Stefan, acrescentando que “a TCL ainda não tem essa força no nome e temos a plena noção disso”.

Questionado sobre a possibilidade de vermos um NXTPAPER com um ecrã OLED ou uma resolução maior, Stefan explicou-nos que “sim, isso era possível e já o podíamos ter feito, mas também é muito mais caro e iria aumentar o preço dos equipamentos de forma drástica e, simplesmente, esse não é o nosso foco neste momento”.

A empresa tem mantido a sua posição de dar um passo de cada vez desde o seu lançamento no mercado. Já em 2021, optou por suspender o lançamento do seu smartphone dobrável, o apelidado Projeto Chicago, por considerar que não fazia sentido avançar com um smartphone que não iria ter uma marca com peso suficiente por trás.

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Durante a conversa com Stefan Streit, o TechBit teve a oportunidade de ver um pequeno vislumbre deste equipamento dobrável que chegou mesmo a ser fabricado e a estar funcional, sendo um dos dois smartphones que acompanha o diretor geral de marketing da TCL no dia a dia. “Não estávamos preparados, não por problemas com os ecrãs, que para nós isso não seria um problema, mas pela força que a marca tem no mercado que não pode ser comparada, para já, aos grandes nomes como a Samsung ou a Google”, explicou Streit.

“Estamos focados em entregar ao consumidor um equipamento bom e, de alguma forma, diferente, não um equipamento de topo para competir num mercado em que ainda não temos um nome forte o suficiente”

Canetas para todos os gostos, mas os profissionais sabem o que precisam

Os equipamentos NXTPAPER podem ser utilizados com uma caneta de forma a permitirem um uso mais extenso da ideia de terem um ecrã com um toque semelhante ao papel.

Como a Samsung tem a SPen, a TCL tem a TPen, mas nada têm a ver uma com a outra.

Stefan explica-nos que “existem as canetas passivas e as canetas ativas, que variam consoante as funcionalidades de que são capazes”, no caso da Samsung temos uma caneta ativa, com diversas funcionalidades e que permite interagir com o equipamento em mais que uma maneira, no caso da TCL temos uma caneta passiva.

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“A nossa caneta serve bem para podermos escrever qualquer coisa, desenhar numa página em branco ou mesmo brincar um pouco com uma foto, mas não estamos focados em desenvolver algo preciso e com tecnologia de ponta para um artista profissional”, comentou Strein quando questionado sobre o assunto, assumindo até que “um profissional também não vai procurar um equipamento da TCL para o trabalho, provavelmente vai necessitar de algo muito mais preciso e que seja focado nesse mercado.

Atualmente, os equipamentos NXTPAPER estão focados num público mais generalista e permitem a todos ter uma interação mais no nível do entretenimento com a garantia de que vai ser uma experiência muito mais confortável para os olhos.

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“A última coisa que a grande maioria das pessoas faz antes de ir para a cama é olhar para o smartphone”, comenta Strein, “é algo inconsciente que fazemos, mas que aos poucos nos vai cansando a vista, com o NXTPAPER podemos ajudar a que não seja tão crítico”.

Com uma diferença em grande escala na redução da luz azul emitida pelos ecrãs, “é normal que exista uma pequena diferença em termos de precisão da cor que estamos a ver, mas isso só será perceptível para um olho mais profissional ou quando comparado lado a lado com outro tipo de ecrã”.

A inovação passa pela mudança

Para Stefan Streit a inovação tem de ser feita no mesmo sentido que os NXTPAPER, com calma e a seu tempo. Com o crescimento atual dos equipamentos dobráveis a TCL acredita “que é possível criar novos designs para algo que hoje em dia é igual em qualquer marca”, referindo-se ao facto de, na grande maioria, os smartphones atuais serem todos feitos na base de um formato retangular.

Strein acredita que com o avançar da tecnologia vai ser possível passar por cima das maiores dificuldades em mudar o design dos equipamentos: os ecrãs e as baterias que não são maleáveis o suficiente para serem criadas novas ideias.

TCL 40 NXTPAPER

“Um dos grandes problemas que enfrentamos hoje em dia são os ecrãs, o outro são as baterias que ainda não conseguem der dobradas ou reduzidas a um tamanho que permita mudar o formato atual dos smatphones”

Para já, a TCL vai-se focar no consumidor do dia a dia, aquelas pessoas que querem o smartphone para um pouco de entretenimento e para tratar de alguns emails, mais tarde talvez avancem para um mercado mais de topo.

Além disso, a empresa vai manter a Alcatel no mercado para os equipamentos mais fracos, de entrada de gama, e a TCL será o foco principal para os restantes utilizadores.

Com a inserção da Inteligência Artificial em diversos processos e da Realidade Aumenta, a empresa vai-se manter focada em implementar este tipo de tecnologia noutros mercados, como em óculos inteligentes ou algo semelhante, deixando o mercado dos smartphones para mais tarde, pois acreditam que “para já, não faz sentido estarmos a focar-nos nesse ponto”.

TCL RayNeo X2

Falando do futuro e qual poderá ser o caminho a tomar, Stefan fala-nos de como a cloud poderia ser uma forma de termos acesso a tudo sem precisarmos de carregar conosco um equipamento tão grande.

“Nos próximos, talvez, 10 anos acredito que tudo estará na cloud, até mesmo o próprios sistema operativo”, comenta o diretor geral de marketing da TCL.

Stefan Streit Diretor Geral de Marketing da TCL
Stefan Streit Diretor Geral de Marketing da TCL
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